AIDS – Pílula semanal promete revolucionar o tratamento contra o vírus HIV

Pesquisa apresenta forma de aplicação de medicamentos, ainda em teste pré-clínico, que promete facilitar o tratamento e reduzir os efeitos colaterais nas pessoas infectadas com o vírus da Aids

Um dos principais desafios para tratar a síndrome de imunodeficiência adquirida (Aids) é o fato de os próprios pacientes não aderirem à terapia antirretroviral (TARV). O tratamento é imprescindível para reduzir a morbidade e a mortalidade relacionada ao vírus HIV, mas os obstáculos são muitos: além do estigma que sofrem ao revelar que têm o vírus, os pacientes precisam tomar uma grande quantidade de comprimidos por dia e combinar várias drogas, que causam muitos efeitos colaterais. O tratamento ainda exige o cumprimento de horários rigorosos e alterações na alimentação para evitar desconforto.

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Um estudo publicado pela revista científica Nature Communications, nesta terça-feira (9/1), descreve um modelo inovador de tratamento contra o HIV, ainda em fase de teste pré-clínico — com aplicações apenas em suínos —, que foca exatamente no dilema da não adesão dos pacientes ao modelo convencional.

Durante as pesquisas iniciais, a equipe constatou, por meio de ensaios clínicos, que apenas cerca de 30% dos pacientes seguem os planos diários de dosagem, o que complica a eficácia do remédio.

O novo método, desenvolvido por pesquisadores do Brigham and Women’s Hospital (BWH), ligado ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), ajuda a resolver esse problema ao exigir que o paciente ingira uma só pílula semanalmente. O composto, então, permanece no estômago ao longo de vários dias, liberando os medicamentos prescritos gradualmente.

Segundo o gastroenterologista e engenheiro biomédico Giovanni Traverso, um dos autores da pesquisa, “esses sistemas de liberação lenta de dosagens são iguais ou melhores do que as doses diárias atuais para tratamento de HIV”.

As fases do medicamento no estômago do paciente: bons resultados no tratamento contra o HIV e em pessoas que estão em risco constante de exposição ao vírus

As fases do medicamento no estômago do paciente: bons resultados no tratamento contra o HIV e em pessoas que estão em risco constante de exposição ao vírus

Estrela contra o HIV 

O projeto, iniciado em 2016, consiste em uma cápsula que, ao entrar em contato com os líquidos presentes no estômago, se desdobra em uma estrutura no formato de uma estrela grande o suficiente para não passar pelo piloro, uma abertura que faz a conexão entre o estômago e o intestino delgado.

O formato da droga permite ainda que os alimentos continuem passando livremente pelo sistema digestivo. “Os braços proporcionam rigidez e a cápsula contém polímeros (macromoléculas formadas a partir de unidades estruturais menores) e outros materiais para permitir que a droga se difunda lentamente”, afirma o estudo. As cápsulas são projetadas para, depois da liberação total do fármaco, se desintegrarem em componentes menores que podem passar pelo trato digestivo.

O médico infectologista Valdez Madruga, que é coordenador do Comitê HIV/Aids da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), vê com otimismo a busca por tratamentos desse tipo. “É um sistema interessante de ação, mesmo que ainda em fase tão inicial. Ele consegue entregar até seis tipos de drogas diferentes por semana. Isso, quando for testado em humanos, vai representar um grande avanço para quem vive com a doença”, analisa.

Redução dos efeitos colaterais

Segundo Valdez Madruga, esquecer o horário de tomar o remédio é um fator recorrente e há casos em que os pacientes simplesmente se cansam de tomar tantas drogas. Mas, em sua opinião, o maior avanço da nova técnica seria a redução dos efeitos colaterais, que interferem muito na qualidade de vida do paciente.

“É o caso daquele paciente, por exemplo, que sabe que o tratamento causa diarreia ou tontura e tem um compromisso para ir. Ele deixa de tomar o remédio naquele dia, para não passar por um constrangimento e não interromper o compromisso”, explica.

O infectologista destaca que, quanto menos o medicamento interfere na rotina da pessoa, mais fácil é a adesão e, consequentemente, mais eficaz é o remédio. “Outro agravante é que, ao não tomar o remédio, o vírus adquire resistência. Estudos já demonstraram que, quando o paciente não tem um nível regular da medicação no sangue, o vírus se multiplica rapidamente e desenvolve uma mutação. Essas mutações acabam causando a resistência ao remédio que o paciente já usa e também a outros medicamentos da mesma classe que poderiam ser usados.”

Risco constante de infecção

A formulação oral menos invasiva também mira outro desafio: evitar a contaminação de pessoas que estão em risco constante de exposição ao vírus. Os cálculos deles apontam que a redução de doses diárias para uma semanal pode melhorar a eficácia do tratamento preventivo em aproximadamente 20%. As projeções do tratamento em um modelo de transmissão de HIV na África do Sul mostraram, segundo os pesquisadores, que entre 200 mil e 800 mil novas infecções podem ser prevenidas nos próximos 20 anos. Cientistas da empresa Lyndra, que contribuiu para o estudo, trabalham agora para realizar um ensaio clínico usando o medicamento em seres humanos.

O diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, afirma que a implementação mais ampla dessas abordagens “são necessárias para acabar com a pandemia do HIV.” A previsão é que a nova técnica também seja adaptada ao tratamento de outras doenças. Com a forma como eles projetaram os braços poliméricos da cápsula, é fácil trocar as drogas que são acopladas a ela, porque, segundo o estudo, o sistema central permanece o mesmo. A equipe também trabalha na produção de cápsulas que poderiam permanecer no corpo por períodos de tempo ainda mais longos.

Antirretrovirais disponíveis no SUS

Os tratamentos antirretrovirais surgiram na década de 1980. Eles não matam o HIV, mas ajudam a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico, por isso, o uso é fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida do paciente. No ano passado, o Ministério da Saúde ampliou a oferta do antirretroviral dolutegravir no tratamento de todos os pacientes com HIV no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A expansão representou um avanço nos tratamentos anteriores, já que a droga é considerada um dos melhores tratamentos para a Aids no mundo, com alta potência e um nível muito baixo de efeitos colaterais.

De acordo com a pasta, a substância era receitada, desde o início do ano, para novos pacientes soropositivos, e também para as pessoas que tiveram efeito colateral com a efevirenz — medicação usada até então —, que totalizava cerca de 100 mil pessoas. A expectativa que todos os infectados com HIV possam ser medicados com o remédio até o fim de 2018.

Segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 842.710 casos de Aids no período de 1980 a junho de 2016. Nos últimos cincos, o país tem registrado uma média de 41,1 mil novos casos anuais. Em relação à mortalidade, de 1980 até dezembro de 2014, foram identificados 303.353 óbitos cuja causa básica foi a Aids. Houve uma redução de 5% nos últimos anos, passando de 5,9 óbitos por ano por 100 mil habitantes, em 2006, para 5,6 óbitos em 2015.

Por Correio Braziliense

SAÚDE – Nova substância promete avanços no tratamento contra o linfoma de Hodgkin

Combinada com quimioterapia, tratamento consegue atacar as células doentes do sangue sem comprometer as saudáveis. Voluntários submetidos ao tratamento experimental têm redução de 23% no risco de progressão do câncer ou morte

No mundo, milhões de pacientes se beneficiam das mais recentes conquistas da medicina contra o câncer, embora a doença siga em avanço, com novas particularidades e alguns tipos mais resistentes aos tratamentos tradicionais. Para os médicos, drogas eficazes são primordiais para garantir o máximo de tempo livre de progressão da doença. Para quem tem carcinomas, a preocupação vai além: é essencial uma medicação que funcione, mas que seja tolerável. Mais de 30 mil pessoas reunidas na 59ª edição do Congresso da Sociedade Americana de Hematologia (ASH17), em Atlanta, acompanharam a divulgação de diversos estudos sobre novas terapias-alvo, que buscam justamente esse efeito: atacar o câncer em nível molecular, ou seja, atingi-lo diretamente sem prejudicar as células saudáveis do paciente.

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Uma das notícias mais animadoras tem como objetivo o combate ao linfoma de Hodgkin (LH). De acordo com o autor do estudo Echelon-1, o diretor clínico do British Columbia Cancer Agency Center, em Vancouver (Canadá), Joseph M. Connors, os pacientes foram tratados com um conjugado anticorpo fármaco (ADC, na sigla em inglês), o brentuximab vedotin (BV), da Seattle Genetics. Associado a um tratamento quimioterápico, o anticorpo monoclonal se conecta diretamente aos receptores das células desse tipo de câncer (CD30) e passa a matá-las. É a primeira vez que uma droga destinada a tirar proveito de uma característica biológica específica das células desse câncer é utilizada no tratamento inicial da doença.

Os resultados representam um ganho importante, principalmente para pacientes que não respondem ao primeiro curso do tratamento, chamado de primeira linha. Os voluntários submetidos a testes com a substância tiveram redução de 23% no risco de progressão da doença ou morte, em comparação com aqueles que receberam o regime padrão inicial de tratamento. A maior vitória, segundo os especialistas, é o fato de a abordagem evitar a necessidade de terapia adicional e mais intensiva. “Os resultados do estudo representam o primeiro esforço bem-sucedido em mais de 30 anos para melhorar os resultados do tratamento de primeira linha em pacientes com LH avançado, sem aumentar a toxicidade da quimioterapia para níveis inaceitáveis”, disse Connors.

O tratamento padrão para o linfoma de Hodgkin não mudou desde a década de 1970. Hoje, aproximadamente 30% dos pacientes não respondem ao tratamento original. No estudo, 1.134 voluntários com a doença em estágio avançado e não tratada foram aleatoriamente selecionados para receber ABVD — o tratamento atual, que usa as drogas adriamycin, bleomicina, vinblastina e decarbazina — ou o BV associado a doxorrubicina, vinblastina e dacarbazina (AVD). Embora a segunda combinação tenha causado mais danos aos nervos, houve menos episódios de febre e neutropenia (baixo nível de glóbulos brancos). A combinação experimental retirou a bleomicina, que foi associada ao dano pulmonar e, às vezes, à morte. “Se esse novo regime for amplamente adotado, ele mudará o tratamento de primeira linha do LH avançado”, afirmou o especialista.

Alto custo

O oncologista e hematologista Daniel Tabak, do Rio de Janeiro, acompanhou a apresentação dos resultados e destacou que a imuno-oncologia, como é chamada essa especialidade, vem dominando todos os aspectos que certamente tomarão conta desse novo cenário contra o câncer no mundo. Ele também ressaltou que o brentuximab pode, potencialmente, substituir o tratamento existente, que conta com uma série de complicações. “Para o Brasil, o desafio é grande e precisamos, claro, ter alguns cuidados antes de implantar esse novo conhecimento. Mas é um grande avanço poder retirar e suprimir a bleomicina”, destacou.

Opinião semelhante é a do hematologista Guilherme Perini, do Hospital Albert Einstein, que ressalta que o valor da medicação será um impasse para o medicamento no Brasil. “O estudo é grande e bem-feito, mas ainda não vai ser tão fácil de incorporar à nossa realidade por conta de custos. Mas, em relação à toxicidade, o resultado é muito bom. A quimioterapia está ficando para trás”, analisou.

As reações adversas das medicações tradicionais são um dos grandes desafios da imuno-oncologia. A quimioterapia, por exemplo, é necessária na maioria dos tratamentos contra câncer, mas é extremamente agressiva ao doente, porque funciona matando células no corpo que estão crescendo e se dividindo rapidamente. A químio ainda não é capaz de distinguir as células doentes das saudáveis e acaba matando todas, um efeito por vezes devastador à imunidade do paciente.

As terapias-alvo, em contrapartida, neutralizam as características genéticas que tornam as células cancerígenas diferentes das normais, evitando que elas aumentem e se espalhem. Como essas intervenções são projetadas especificamente contra células de câncer, segundo os pesquisadores, elas geralmente têm efeitos colaterais diferentes e mais suportáveis.

Por Correio Braziliense

Câncer de Próstata – Tratamento ganha genérico inédito

A aprovação do medicamento deve reduzir os custos do tratamento, pois os genéricos devem entrar no mercado com valor pelo menos 35% menor

A Anvisa publicou nesta segunda-feira (20/11) o registro do medicamento genérico acetato de abiraterona, que é utilizado no tratamento de pacientes com câncer de próstata metastático resistente a castração, em combinação com os medicamentos prednisona ou prednisolona.

De acordo com a Lei dos Genéricos, a aprovação do medicamento deve reduzir os custos do tratamento, pois os medicamentos genéricos devem entrar no mercado com valor pelo menos 35% menor que o do produto de referência.

Foto Ilustrativa: Internet/Reprodução

Foto Ilustrativa: Internet/Reprodução

Até o momento não havia genéricos do medicamento acetato de abiraterona, que está no mercado com o nome comercial Zytiga, registrado pela empresa Janssen-Cilag Farmacêutica. O medicamento genérico foi registrado pela empresa Dr. Reddys Farmacêutica.

O acetato de abiraterona inibe seletivamente uma enzima necessária para produção de androgênios (hormônios sexuais) pelos testículos, glândulas suprarrenais e tumores da próstata, além de diminuir consideravelmente os níveis desses hormônios, os quais levam à progressão da doença.

Por Agência Brasil

Uma a cada dez brasileiras tem endometriose

A endometriose é uma doença inflamatória que ataca o tecido do útero, os ovários, a bexiga e até o intestino

Sensibilidade à flor da pele e vontade grande de comer doce são sentimentos comuns durante o período menstrual. Mas para as 10% das mulheres brasileiras esse momento é um tormento, por causa das fortes dores de cólica que aumentam nesses período por causa da endometriose.

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A endometriose é uma doença inflamatória que ataca o tecido do útero, os ovários, a bexiga e até o intestino. “O diagnóstico não é fácil e é mais comum em mulheres que estão no período reprodutivo. A doença pode surgir logo após as primeiras menstruações. Além disso, muitas mulheres a confundem com cólicas menstruais”, explica Euzi Bonifacio, enfermeira e técnica da área da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde.Os sintomas da doença podem surgir na adolescência como cólica menstrual forte, dores durante a relação sexual, entre as menstruações, ao defecar e ao urinar, sangramento na urina ou nas fezes e infertilidade.

Após sofrer episódios de dores abdominais intensas e cólicas fortes, Renata Garcia Nerys, da cidade de Araucária, no Paraná, recebeu o diagnóstico de endometriose em 2013. “A endometriose prejudica muito minha rotina de trabalho, pois sinto dores o tempo todo e não dá para ficar nem muito em pé, nem muito sentada. Em casa, na minha rotina diária, não aguento fazer tanto esforço. Durante e depois da relação sexual também sinto muitas dores, uns dias mais e outros menos. Parece que tem dias que tudo dói mais. O meu intestino não funciona mais legal, tenho muita dificuldade nessa parte”, conta Renata.

Diagnóstico

Na maioria dos casos, o diagnóstico clínico-ginecológico é suficiente, permite iniciar o tratamento e manter o acompanhamento da mulher a fim de avaliar a resposta terapêutica. “A escolha do tratamento deve levar em consideração a gravidade dos sintomas, a extensão e localização da doença, o desejo de gravidez, a idade da paciente, efeitos adversos dos medicamentos e complicações cirúrgicas”, ressalta a técnica da área da Saúde da Mulher.

Tratamento

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece o tratamento medicamentoso ou cirúrgico, ou ainda a combinação desses. Mulheres mais jovens podem utilizar medicamentos que suspendem a menstruação. Lesões maiores de endometriose, em geral, devem ser retiradas cirurgicamente. “Tudo vai depender do diagnóstico e do planejamento familiar da mulher”, explica a técnica. Quando a mulher já teve os filhos que desejava, e não obtém melhora com o tratamento medicamentoso, a remoção dos ovários e do útero pode ser uma alternativa de tratamento. Os exames laboratoriais e de imagem podem contribuir. A vídeo-laparoscopia é indicada apenas nos casos que não melhoram com o tratamento instituído.

Alimentação e exercícios influenciam?

“Isso é um mito. Não têm estudos científicos que provem a verdadeira causa da endometriose”, destaca Euzi. Segundo ela, ainda estão sendo estudadas as possíveis causas da endometriose, para saber se são fisiológicas, hormonais, de hereditariedade, entre outras. “O que podemos dizer é que todo mundo deve ter uma alimentação saudável e adequada de preferência evitar alimentos processados”, enfatiza a técnica, conforme orienta o Guia Alimentar da População Brasileira. “Já os exercícios físicos podem ajudar a mulher a ter mais disposição e controlar a dor”, completa.

Infertilidade

Hoje, a maior causa de infertilidade é a endometriose. A instalação da doença nos ovários pode provocar o aparecimento de um cisto denominado endometrioma. Este cisto pode atingir grandes proporções e comprometer o futuro reprodutivo da mulher. O diagnóstico e tratamento precoce são importantes para prevenir a infertilidade. “É importante destacar que nem todas as mulheres que têm a doença não podem ter filhos. Ou seja, as mulheres afetadas pela doença fazerem o tratamento correto”, esclarece Euzi.

A endometriose tem cura?

A endometriose é considerada uma doença crônica, portanto, sem cura definitiva. Entretanto, os tratamentos com cirurgia ou medicamentos específicos podem permitir uma melhor qualidade de vida às portadoras da doença. Alguns estudos recentes mostraram que cirurgias que conseguem extrair todas as lesões visíveis podem diminuir ou retardar a recorrência das lesões e dos sintomas de endometriose.

Por Luíza Tiné, para o Blog da Saúde

Remédio para transtorno bipolar passa a ser oferecido pelo SUS

A partir de agora, cinco medicamentos para tratar o transtorno bipolar serão oferecidos de graça pelo SUS, Sistema Único de Saúde. A portaria com a decisão já está publicada no Diário Oficial da União.

Clozapina, lamotrigina, olanzapina, quetiapina e risperidona já são usados para outros fins na rede pública, mas devem estar disponíveis também para esse tipo de transtorno. A expectativa é que, este ano, cerca de 270 mil pessoas sejam beneficiadas com o tratamento.

O Ministério da Saúde deve publicar esta semana as diretrizes terapêuticas para o diagnóstico, tratamento e acompanhamento do transtorno bipolar. A doença é caracterizada por alterações de humor que se manifestam no paciente, em momentos de depressão ou também de euforia, em graus que variam de intensidade. A forma mais grave da doença afeta cerca de 2 milhões de brasileiros.

Da Agência Brasil

Consulta quer sugestões para tratamento de infecção por HIV em crianças

O Ministério da Saúde publicou nesta sexta-feira (7) no Diário Oficial da União consulta pública que busca sugestões para o tratamento da infecção por HIV em crianças e adolescentes. O texto, intitulado Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Crianças e Adolescentes, ficará disponível para consulta por um período de 30 dias no endereço eletrônico www.saude.gov.br/consultapublica.

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As contribuições deverão estar fundamentadas em estudos clínicos feitos no Brasil ou no exterior, com material científico que dê suporte às proposições. O envio é feito por meio do formulário disponível no site da consulta pública. Os arquivos dos textos e das fontes bibliográficas devem, se possível, ser enviados como anexos.

Segundo o ministério, o Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida e Hepatites Virais da Secretaria de Vigilância em Saúde, vai coordenar a avaliação das proposições recebidas e a elaboração da versão final do protocolo.

Fonte: Agência Brasil

Caruaru-PE: Queiroz visita nova central de medicamentos

O prefeito José Queiroz (PDT) e a Secretária de Saúde, Aparecida Souza, visitaram as instalações da nova central de abastecimento de medicamentos, que fica em uma ampla área do prédio da Secretaria de Saúde. O local, que será inaugurado em breve, abrigará todos os medicamentos adquiridos pela Prefeitura e recebidos pelo SUS e são distribuídos a todas as unidades de saúde do município. Além disto, a central será informatizada com o sistema Horus, disponibilizado pelo Ministério da Saúde, que possibilita mais agilidade, controle de entrada e saída de medicamento e, ainda, disponibiliza o histórico de cada paciente em relação ao tratamento e medicamento utilizado, através do número do SUS.

De acordo com o prefeito, o novo local proporcionará maior controle e melhor distribuição de medicamentos na rede municipal. “A central é a prova de que estamos trabalhando sempre no sentido de modernizar a administração, investindo na melhoria dos serviços para os usuários. Com a nova central de medicamentos, a gestão de controle e distribuição ficará muito mais eficaz”, afirmou.

Ainda durante a manhã, José Queiroz conferiu a obra da Operação Calçamento, que também está sendo realizada na Rua da Escola Margarida Miranda, no Loteamento Parque Real.

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TV Replay, o que é bom se repete!

Hepatite C: tire suas dúvidas sobre o teste que detecta a doença, recomendado para pessoas com mais de 45 anos

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O Ministério da Saúde está realizando uma campanha nacional para incentivar pessoas com mais de 45 anos a fazer o teste de hepatite C. O exame que detecta a doença – na maioria dos casos, silenciosa – pode ser feito em postos de saúde e nas unidades da Clínica da Família.

Recentemente, autoridades de saúde dos Estados Unidos lançaram um alerta especial para nascidos entre 1945 e 1965 verificarem se têm ou não a doença. A recomendação surgiu depois de ser constatado que essas pessoas têm cinco vezes mais riscos de estarem contaminadas. A explicação é que elas cresceram numa época em que era comum o uso de seringas de vidro e transfusões de sangues não testados para a hepatite C, só descoberta em 1989.

Segundo a Associação Brasileira de Portadores de Hepatite, cerca de 3 milhões de pessoas no Brasil têm o tipo C da doença, mas só 12 mil sabem e estão sendo tratadas. Tire suas dúvidas sobre essa infecção e sobre o teste que a detecta.

O que é a hepatite C?

A hepatite C é uma doença infecciosa que ataca o fígado e é causada pelo vírus VHC.

Por que é importante fazer o teste?

Segundo o hepatologista Giovanni Faria Silva, da Universidade Estadual Paulista, a testagem para hepatite C é necessária porque a doença não apresenta sintomas em 95% dos casos, sendo comum o diagnóstico já em estágio avançado.

Em que consiste essa testagem?

O teste de hepatite C é feito por meio de exame de sangue, que detecta a presença de anticorpos contra o vírus no organismo. Caso dê positivo, outro exame, que analisa o material genético do vírus, é feito. Mais um positivo aponta a necessidade de biópsia do fígado para indicação de tratamento.

Dependendo do caso, pode ser realizado um teste rápido para detecção da doença, cujo resultado sai em até 30 minutos.

Como a hepatite C é transmitida?

As vias de transmissão mais comuns são transfusões de sangue e compartilhamento de agulhas e seringas contaminadas. Muito raramente, há transmissão da mãe para o bebê (no útero ou no parto) e por relação sexual (com sangramento mútuo).

A doença pode levar à morte?

Sim, daí a importância do teste e do diagnóstico o mais precoce possível. Depois de 20 anos, a infecção da hepatite C evolui para cirrose em 25% dos pacientes, tudo de forma assintomática. O problema provoca a falência do fígado e, se não tratado, leva à morte.

Nos casos sintomáticos de hepatite C, que sinais o corpo dá de que algo errado está acontecendo com o fígado?

São sintomas de descompensação do fígado a confusão mental (encefalopatia), a icterícia (pele e olhos amarelados), a ascite (concentração de líquido no abdômen) e vermelhidão em mãos, pés e pernas.

A doença tem cura?

Cerca de 80% dos pacientes com hepatite C têm cura completa, mas é importante lembrar que aqueles que contraíram cirrose precisam continuar tratando o problema. Ou seja, é possível obter a cura do vírus VHC e permanecer com a cirrose.

Como é o tratamento da hepatite C?

Ele é feito, basicamente, com três tipos de medicamentos, todos fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS): interferon, ribavirina e inibidores de protease (distribuição limitada a pacientes graves).

Dificuldade para ter orgasmo: tratamento

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A ausência ou dificuldade de ter orgasmo após a estimulação sexual, mesmo havendo o interesse e todas as possibilidades para que isso aconteça é mais comum do que se imagina. Chamada de anorgasmia, essa disfunção sexual atinge entre 50% a 70% das mulheres, em qualquer idade. O ginecologista e obstetra Vander Guimarães, professor de tocoginecologia da Faculdade de Medicina de Petrópolis, explica que não há uma causa definida para o problema, que pode ser primário a (a pessoa nunca experimentou o prazer sexual), secundário (já ocorreu o orgasmo anteriormente, mas ele foi interrompido a partir de determinado momento da vida) ou situacional (a falta de orgasmo somente acontece em determinadas circunstâncias). “O orgasmo é uma reação complexa que depende de muitos fatores, de ordem física, emocional e psicológica. Algumas doenças (causas orgânicas), alterações psicológicas (psicossociais) e até mesmo medicamentos e drogas podem interferir e dificultar o prazer da mulher“, afirma.

Anorgasmia: causas

Segundo o médico, as causas orgânicas são as menos frequentes e contribuem em apenas 5% dos casos. As causas psicossociais são mais comuns, como a falta de diálogo entre o casal, a pouca habilidade sexual do parceiro, tabus e crenças errôneas acerca da sexualidade, a falta de informação e uma educação sexual repressora. “A anorgasmia pode diminuir a autoestima da mulher, levando a uma inibição do desejo sexual e a um menor interesse pelas relações sexuais. Ou até existe o interesse e o desejo para a realização do ato sexual. O que acontece é a dificuldade para se atingir o orgasmo. Mas o fato de a mulher não ter chegado ao clímax em determinada relação não permite que se faça o diagnóstico de anorgasmia”, esclarece.

Tratamento da anorgasmia

O tempo de duração da anorgasmia vai depender das causas relacionadas a ela. Quanto mais precoce for a detecção do problema, mais rápida será a solução. O interesse da mulher pela melhora e o empenho do casal também contribuem para acelerar o tratamento deste transtorno. O médico explica que ao identificar a falta de orgasmo, a mulher deve procurar um médico de sua confiança, como o clínico geral ou um ginecologista, para verificar possíveis causas orgânicas para sua sintomatologia. Após esta avaliação outros profissionais, a exemplo de sexólogos, psicólogos e terapeutas podem ser importantes para melhor avaliação e condução do tratamento.

“Antes de qualquer coisa, é preciso que haja diálogo entre o casal. O homem precisa ser participado do problema e a conversa entre os dois é o primeiro passo para se buscar o entendimento da situação. Se não houver colaboração do parceiro, dificilmente a mulher conseguirá vencer os obstáculos que estão impossibilitando o seu prazer sexual. O tratamento dependerá das causas relacionadas e dos sintomas, mas podem ser recomendados desde mudanças comportamentais, terapia ou o uso de medicações. Em algumas situações, a terapia de casal é uma solução encontrada”, finaliza.

Fonte: http://www.bolsademulher.com/sexo/dificuldade-para-ter-orgasmo-tratamento/por Mariana Bueno

Lei que prevê tratamento de câncer em 60 dias vale a partir desta quinta

Prazo conta após diagnóstico e inclusão de dados no prontuário médico.
Quase 280 unidades do país farão cirurgia, químio e radioterapia pelo SUS.

Entra em vigor nesta quinta-feira (23) a lei federal que estabelece um prazo máximo de 60 dias para que pessoas com câncer iniciem o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Nesse período, que conta a partir da confirmação do diagnóstico e da inclusão dessas informações no prontuário médico, os pacientes devem passar por cirurgia ou iniciar as sessões de químio ou radioterapia, conforme a indicação de cada caso.

A lei foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff em novembro do ano passado e tinha 180 dias para começar a valer.

O paciente que não conseguir iniciar seu tratamento dentro do prazo que prevê a lei pode fazer uma denúncia junto à ouvidoria do SUS pelo telefone 136. Essas denúncias serão fiscalizadas pelo Ministério da Saúde. Em último caso, o paciente pode ainda acionar a Justiça contra o estado ou o município em que o problema tiver ocorrido.

A nova regra, porém, não vale para três casos: câncer de pele não melanoma (a biópsia às vezes já é o tratamento), tumor de tireoide com menor risco e pacientes sem indicação de cirurgia, radioterapia ou quimioterapia. Em algumas dessas situações, porém, o uso de remédios deve começar logo após a detecção da doença.

A previsão do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é de que 518 mil casos de câncer sejam diagnosticados em 2013, número que deve aumentar com o envelhecimento da população e o aumento do tabagismo no sexo feminino.

Em todo o país, 277 hospitais, centros e institutos estão habilitados a realizar procedimentos oncológicos pela rede pública. Há unidades em todos os estados, mas cinco deles – quatro no Norte e um no Nordeste – têm apenas um local de tratamento. É o caso do Acre, Amapá, Amazonas, Roraima e Piauí.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, será preciso ampliar os serviços principalmente nessas duas regiões e no interior do país. Os investimentos para isso têm sido feitos desde 2011, com a implantação de 80 novos centros de radioterapia, aquisição de equipamentos e parcerias junto ao Ministério da Educação (MEC) para formar profissionais na área de oncologia, o que leva de dois a três anos.

“[Isso] Vai exigir uma reorganização dos estados e municípios, dos hospitais. (…) Outro grande desafio é termos mais médicos especialistas em câncer”, disse Padilha, em entrevista à Globo News.

De acordo com o secretário de Atenção à Saúde do ministério, Helvécio Magalhães, os cinco estados com apenas uma unidade de atendimento ao câncer pelo SUS apresentam um perfil populacional baixo, e o cálculo do número de locais necessários é feito com base no total de habitantes. Apesar disso, segundo Magalhães, esses “vazios assistenciais” serão identificados e corrigidos

Rosemar e Jaciara em tratamento contra o câncer em Ribeirão (Foto: Fernanda Testa/G1)                              Rosemar e Jaciara fazem tratamento de câncer
em Ribeirão Preto (SP) (Foto: Fernanda Testa/G1)

Para quem mora no Norte e no Nordeste, muitas vezes a saída é viajar milhares de quilômetros em busca de atendimento especializado. Foi o caso de duas mulheres, uma de Rondônia e outra da Paraíba, que foram diagnosticadas no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Rosemar Rodrigues Barbosa, de 25 anos, e Jaciara de Lima Cosmo, de 18, fazem parte dos 6% dos atendimentos do hospital que incluem pessoas de fora da região. As duas começaram o tratamento menos de 20 dias após o diagnóstico da doença: uma tem um tumor na língua e a outra, um linfoma (câncer no sistema linfático).

Na tentativa de ajudar no tratamento de pacientes com câncer, clínicas privadas também poderão se credenciar ao SUS. O objetivo do Ministério da Saúde é aproveitar a estrutura que já existe e expandi-la em novos turnos. Magalhães conta que 20 serviços privados de radioterapia estão se credenciando à rede pública, e outros já 50 foram consultados pelo governo.

“A data de hoje é um marco na disposição legal, mas nada acontece de um dia para o outro. Apoiamos a iniciativa da lei porque vira uma força a mais para o que já estávamos tratando de forma especial, que são as doenças crônicas. Cada vez mais, conseguimos colocar o câncer no centro da Política Nacional de Saúde”, avalia.

Novo sistema
Desde o dia 16, municípios e estados brasileiros têm acesso ao Sistema de Informação do Câncer (Siscan), um programa de computador que reunirá o histórico de todos os pacientes oncológicos e do tratamento de cada um.

Reginaldo Filho e sua esposa, no Recife (Foto: Katherine Coutinho / G1)                            Desenhista Reginaldo da Silva Filho e a mulher,
Laudiceia, no Recife (Foto: Katherine Coutinho/G1)

A partir de agosto, as prefeituras e os governos estaduais serão obrigados a cadastrar as informações nesse sistema – que estará disponível ao público, via internet. Quem não cumprir o acordo terá repasses suspensos por parte do governo federal.

“O Siscan vai permitir um monitoramento online em tempo real, mostrar onde há mais dificuldades, a concentração dos tipos de câncer, para elaborar forças-tarefa e agilizar procedimentos. Onde houver indícios de descaso por parte de um gestor ou prestador, haverá punição administrativa”, explica o secretário.

Mais de mil pessoas foram treinadas a usar o novo sistema, com cursos a distância e manuais, segundo Magalhães. Depois de agosto, será feito o primeiro balanço, que após esse período deve ser mensal.

O Siscan ainda não chegou, porém, a instituições como o Hospital do Câncer de Pernambuco, onde o desenhista Reginaldo Carlos da Silva Filho, de 23 anos, luta contra um câncer nos ossos e nos pulmões. Após os primeiros sintomas, há cinco anos, ele levou oito meses para receber atendimento e mais de cinco meses para iniciar o tratamento.

Toda semana, Reginaldo viaja quase 70 km da cidade onde mora, Lagoa de Itaenga, até o hospital em Recife. Ele tem recebido o apoio da mulher, que conheceu em São Paulo, depois de nove meses de conversas a distância, e com quem se casou em fevereiro.

Apoio familiar incentiva irmãs na busca pela cura do câncer em unidades de saúde de Campinas (Foto: Anaísa Catucci/ G1 Campinas)                              Irmãs Clediléia e Clereni se apoiam uma na outra
para vencer o câncer (Foto: Anaísa Catucci/G1)

Demora no diagnóstico
Um dos problemas que a nova lei não contempla é a demora que o paciente enfrenta para obter o diagnóstico correto da doença. Esse foi o caso da vendedora Clediléia Maria Magalhães, de 35 anos, que vive em de Campinas (SP) e levou oito meses para receber o resultado de uma mamografia, que acabou identificando um nódulo. Agora, ela vive uma fase de “angústia, com um peso nas costas”, à espera de novos exames para saber se se trata de um tumor maligno.

“O médico do posto disse que tem possibilidade de não ser câncer e que há casos mais graves na minha frente. Mesmo com a orientação de um oncologista, que me examinou e pediu exames pré-operatórios, ele resolveu cancelar tudo, depois solicitou uma ultrassonografia e, se for possível, irá encaminhar para um mastologista”, disse.

Já a irmã mais velha de Clediléia, Clereni Maria Cândido, de 47 anos, foi diagnosticada em 2007 com um tumor no ovário que se espalhou para outros órgãos. Para detectar a doença, ela resolveu pagar as próprias despesas – pelo menos, R$ 2,5 mil. Acabou passando por três hospitais, quatro cirurgias e se aposentou por invalidez.

Para o oncologista Pedro Ricardo de Oliveira Fernandes, do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas, a nova regra não melhora os problemas da rede pública.

“Diante da situação que enfrentamos hoje, é uma utopia acreditar que vai ocorrer com tanta agilidade a mudança do cenário que temos nos hospitais da cidade. Os exames ambulatoriais pelo SUS demoram muito e, quando precisamos de exames sofisticados, existem pacientes que morrem na fila por conta da precariedade”, diz.

Francisca Camurça Rondônia (Foto: Ivanete Damasceno/G1)                               Dona de casa de Rondônia se queixa da demora
para ter diagnóstico (Foto: Ivanete Damasceno/G1)

Na opinião do secretário de Atenção à Saúde do ministério, Helvécio Magalhães, os serviços do SUS devem facilitar o diagnóstico por meio de exames como ultrassom, endoscopia e colonoscopia.

“Outro ponto é apostar na detecção precoce. Quanto mais cedo o médico, na atenção básica, suspeitar de algo, maior pressão haverá para o paciente fazer os exames e iniciar o tratamento”, diz.

Esse é o ponto fraco da maioria dos casos. Segundo Rodrigo Almeida de Souza, diretor do Hospital de Base Ary Pinheiro, em Rondônia, o diagnóstico precoce depende do tempo que o paciente leva para procurar o posto de saúde e ser encaminhado a um especialista.

Esse tempo prolongado pode ser determinantecomo vive na pele a dona de casa Francisca Camurça, de 53 anos, que faz tratamento contra um câncer de mama em Porto Velho, após quase sete meses de espera pelo resultado.

Sobre o tratamento, Francisca não tem queixas. “Começou rápido, o que demorou foi detectar a doença”, lamenta.

Conceição faz acompanhamento médico (Foto: Alan Schneider / G1)                        Costureira Conceição faz acompanhamento médico
em Jaú, no interior de SP (Foto: Alan Schneider/G1)

Apesar de essas situações de longa espera não parecerem exceção, há casos exemplares de atendimento de câncer no país. Os moradores do interior paulista Conceição Aparecida de Matos e José Gomes Ferreira, de 71 anos, se beneficiaram da rapidez dos serviços oferecidos em Jaú.

Ela, que trabalha como costureira, foi diagnosticada com câncer de intestino e ele, de próstata. Em um mês, Conceição passou por cirurgia e agora faz acompanhamento. José segue o mesmo caminho, e admite que a falta de informação e o preconceito para fazer exames preventivos fizeram com que ele só procurasse um médico aos 60 anos de idade.

No entanto, o atendimento não deve apenas ser rápido, mas também preciso. No caso da professora de Sobradinho (DF) Maria Aparecida Nere, de 53 anos, uma avaliação equivocada poderia ter lhe custado a vida.

Paciente Maria Nere mostra uma chapa de raio X que detectou a presença de um tumor na mama esquerda (Foto: Lucas Nanini/G1)                        Antes de detectar tumor de mama, professora do DF
ouviu que ‘câncer não dói’ (Foto: Lucas Nanini/G1)

Após fazer um autoexame das mamas em 2011, ela suspeitou que estava com câncer no seio esquerdo. Consultou-se com dois ginecologistas do SUS, e eles disseram que era apenas gordura e que não deveria se preocupar, pois “câncer não dói”. Mas dois exames feitos no mesmo ano mostraram que os especialistas estavam errados.

Hoje, após fazer cirurgia e sessões de químio e radioterapia, Maria Aparecida espera pelo resultado de uma ressonância magnética – feita em clínica particular – para saber se um caroço identificado no tórax e outro na mama esquerda são novos tumores.

Ajuda influente
O aposentado gaúcho Adão Monteiro, de 66 anos, acredita que só conseguiu o tratamento contra um câncer de próstata porque teve ajuda de um vereador.

Ele esperou 11 meses para tratar a doença, diagnosticada em 2011, e precisou passar por 37 sessões de radioterapia no Complexo Hospitalar da Santa Casa, em Porto Alegre.

Adão Monteiro esperou 11 meses por tratamento de um câncer (Foto: Tanise Scherer/G1)                           Aposentado teve ajuda de vereador para iniciar
sessões de radioterapia (Foto: Tanise Scherer/G1)

“Foi demorado. Se não conhecer ninguém influente, a pessoa morre. Eles não dão bola. (…) É um descaso com o ser humano. Quando a pessoa estiver morrendo, daí eles atendem”, desabafa a mulher de Adão, Regiane Alves Monteiro.

Outro entrave vivido por pacientes com câncer é a falta de acesso aos medicamentos necessários ao tratamento, que às vezes não são encontrados no SUS e precisam ser comprados. Adão também passou por isso, e decidiu entrar na Justiça contra a Prefeitura de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde mora, para receber o remédio de que precisava.

Atendimento
Dados do ministério mostram que, antes mesmo da nova lei, 78% dos casos de câncer em estágio inicial já têm sido tratados em até 60 dias. Nos casos de câncer em estágio avançado, esse índice sobe para 79%. As informações mostram ainda que 95% das crianças e dos adolescentes começam a ser tratados dentro desse prazo.

Apesar disso, ainda há uma grande desigualdade de tratamento em cidades mais distantes dos grandes centros urbanos, disse Padilha.

Queremos reduzir as desigualdades em relação ao tratamento de câncer no país. Queremos que todos sejam tratados em 60 dias”
Alexandre Padilha,
ministro da Saúde

“Queremos reduzir as desigualdades em relação ao tratamento de câncer no país. Queremos que todos sejam tratados em 60 dias”, afirmou.

Se o prazo máximo estiver próximo do fim e o tratamento ainda não tiver começado, os pacientes poderão procurar e cobrar a Secretaria Municipal de Saúde, segundo Padilha.

“Sabemos que será um grande desafio para os municípios cumprirem o prazo, mas é preciso que o cidadão busque informações nos equipamentos de saúde. [...] O ministério também terá uma comissão de acompanhamento de cumprimento dos prazos em todo o país”, disse.

Segundo o secretário de Atenção à Saúde do ministério, Helvécio Magalhães, o paciente ou os familiares também podem ligar para o Disque Saúde (Ouvidoria Geral do SUS), no telefone 136.

Câncer no Brasil

O Inca prevê 518 mil novos casos de câncer em 2013. No ano passado, foram mais de 500 mil diagnósticos de tumores, e o gasto público com internações foi de R$ 806 milhões. Esse é o segundo problema de saúde que mais mata no Brasil, atrás apenas de doenças cardiovasculares.

Entre as mulheres, o câncer que mais mata é o de mama – foram 12.705 casos entre 2010 e 2011, o que representa 15,3% das mortes femininas no país. Já entre os homens, o câncer de traqueia, brônquios e pulmões somou 13.677 casos no mesmo período, alcançando 14,2% dos óbitos.

O câncer não pode esperar, mas o tempo não é o principal fator determinante, e sim a qualidade do tratamento, se ele é correto, coerente”
Nise Yamaguchi,
oncologista

Para Padilha, a população brasileira também precisa melhorar os hábitos como forma de prevenção.

“É um problema de saúde pública que será cada vez mais presente por conta do modelo de vida, da urbanização e do envelhecimento. [...] A prevenção do câncer, antes de mais nada, é não fumar, ter hábitos saudáveis, fazer exercícios”, destacou.

‘Decisão cautelosa e útil’
Na opinião da oncologista Nise Yamaguchi, diretora do Instituto Avanços em Medicina e médica dos hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein, em São Paulo, a decisão do governo é extremamente cautelosa, útil, e vem da necessidade de agilizar o sistema.

“O câncer não pode esperar, mas o tempo não é o principal fator determinante, e sim a qualidade do tratamento, se ele é correto, coerente. É preciso saber o que se está fazendo, e isso não é imediato, depende da resposta do patologista, de uma biópsia”, explica.

Nise diz que, na maioria das situações, dois meses são um prazo razoável. A exceção fica por conta de alguns tipos de leucemia, que avançam mais rápido. Em relação às metástases – quando um tumor se espalha para outros órgãos ou tecidos –, não é possível saber quando elas vão ocorrer, razão pela qual não dá para afirmar se 60 dias são um período seguro ou não.

De acordo com a especialista, na maioria dos países não existe esse tipo de lei.

“Neste Brasil continental, seria impossível dar conta de um prazo menor, pois não adianta uma lei para não ser cumprida. Dentro de um ano é que poderemos avaliar essa medida”, diz a médica.

*Colaboraram G1 PE, DF, RO, RS,  Ribeirão Preto e Franca, Bauru e Marília, e Campinas e Região.

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/05/lei-que-preve-tratamento-de-cancer-em-60-dias-vale-partir-desta-quinta.html