Comportamentos e fatores de risco sinalizam vulnerabilidade ao suicídio

Segundo especialistas, esses sinais não são apenas uma “chantagem emocional” e precisam ser levados a sério

A cabeleireira pernambucana Sibely Fernanda das Chagas Brito, 40 anos, já se perdoou pela morte do filho, Luan Felipe, 18, ocorrida em outubro de 2015. Mas não deixa de acreditar que deveria ter agido de forma diferente. “Ele chegou para mim e disse que tinha perdido a vontade de viver. Não levei a sério. Se eu tivesse levado a sério, meu filho não tinha partido.” No suicídio, não existem culpados, destacam especialistas. O que se pode fazer é ficar alerta a fatores de risco e a comportamentos que indicam a necessidade de se procurar tratamento.

Campanha de prevenção: estátuas no alto de prédio de Londres alertam para a necessidade de estar atento ao tema (Foto: Tolga Akmen/AFP)

Campanha de prevenção: estátuas no alto de prédio de Londres alertam para a necessidade de estar atento ao tema (Foto: Tolga Akmen/AFP)

No caso de Luan, descrito pela mãe como um jovem alegre e extrovertido, Sibely acredita que a ajuda médica chegou tarde. Ele deu sinais de estar com depressão depois de sofrer uma lesão na coluna que o fez acreditar na possibilidade de ficar tetraplégico. “O Luan sentia muita dor, mas não era nada grave, era uma contusão de ter feito exercício errado. Mas ele botou na cabeça que não ia mais andar e entrou em depressão. Levei ao médico, que passou remédios e disse que ele ficaria bom em uma semana. Duas semanas depois da consulta, ele morreu.”

Com base nos atos e nas tentativas, pesquisadores estabeleceram fatores de risco do suicídio (veja quadros abaixo), que, contudo, deve ser entendido como um fenômeno complexo e associado a múltiplas causas. “O comportamento suicida é multifacetado. Sabemos que boa parte dos casos pode apresentar sinais e sintomas de algum transtorno mental, sobretudo de depressão, mas isso não é universal”, observa Érica Assunção Carmo, pesquisadora da Pós-Graduação em Enfermagem e Saúde da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e autora de dois artigos sobre o tema publicados em revistas científicas. “Às vezes, a ideação suicida pode ser totalmente silenciosa, por isso a importância da atenção e da orientação dos familiares, por serem as pessoas mais próximas desses indivíduos”, alerta. 

“Queria sumir”

O psiquiatra Humberto Corrêa, presidente da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio (Abeps), recomenda a parentes e amigos que fiquem atentos a alguns sinais indicativos de adoecimento mental, como depressão. Estudos identificaram que mais de 96% das pessoas que morreram por suicídio tinham recebido algum diagnóstico psiquiátrico. “No geral, o indivíduo falou com pessoas próximas sobre o desejo de tirar a própria vida, disse que estava cansado de viver. Muitos pensam que é chantagem emocional. Mas mesmo que seja, a forma que se está fazendo isso já é doentia e merece atenção”, observa.

Algumas frases servem de alerta, diz o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, diretor e superintendente técnico da Associação Brasileira de Psiquiatria (APB). “Queria sumir” e “O mundo vai ficar muito melhor sem mim” são algumas delas. No caso de adultos, o especialista afirma que o desejo súbito de “colocar ordem” nas finanças é um importante indicativo. “De repente, a pessoa começa a resolver tudo, paga IPTU, orienta herança”, observa. “Quando a pessoa está deprimida há muito tempo e tem uma melhora súbita, isso também pode ser um sinal”, ensina o médico. 

Saber dizer

Da mesma forma que é preciso saber ouvir, os especialistas insistem na necessidade de dizer a coisa certa. O diretor da APB recomenda que jamais se fale “tenha força, coragem, fé” ou “deixe de frescura e preguiça” e, ainda, frases motivacionais, como “a vida é tão bonita”. “Em vez disso, diga que está sempre ao lado dela e que vai ajudá-la a procurar tratamento”, sugere. Tão importante quanto não deixar a pessoa sozinha são tirar o acesso a possíveis meios suicidas. “Restringir o acesso a métodos letais, como arma de fogo, funciona. Parte migra para outros métodos, mas sempre em uma proporção menor”, afirma o presidente da Abeps, Humberto Corrêa.

Antônio Geraldo da Silva defende a adoção de medidas coletivas de enfrentamento ao problema. Ele conta que tem um projeto pronto para implementação do selo amarelo nas construções — uma certificação de que as edificações impedem tentativas de suicídio, como janelas que não se abrem totalmente e pontes com proteção — mas, segundo ele, até hoje, nenhum governo se interessou pela ideia. Em março, um prédio no centro de Londres foi usado em uma campanha contra o suicídio. Oitenta e quatro estátuas foram colocadas no topo do edifício para lembrar que, semanalmente, o mesmo número de homens cometem o ato extremo no Reino Unido.

Avanço entre jovens e idosos

Os estudos populacionais apontam que faixa etária é um importante fator de risco para o suicídio. No Brasil, o Mapa da Violência de 2014, publicação organizada pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, informou que, de 1980 a 2012, o número de suicídios entre pessoas com mais de 60 anos aumentou 215,7%. O primeiro boletim epidemiológico nacional sobre o assunto, divulgado pelo Ministério da Saúde no ano passado, mostrou que as taxas de suicídios são maiores em idosos a partir de 70 anos — 8,9  mortes por 100 mil habitantes de 2011 a 2016, contra 5,5 da média nacional no mesmo período. 

“As altas taxas de suicídio em idosos podem ser reflexo das modificações promovidas pela transição demográfica. Um dos efeitos analisados nesse processo é o envelhecimento populacional”, observa a enfermeira Emelynne Gabrielly de Oliveira Santos, mestre em saúde coletiva pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e autora principal de um artigo sobre o tema publicado na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia. A pesquisadora lembra que os homens são ainda mais suscetíveis. “Alguns estudos apontam que, na velhice, quando a vida profissional cessa, a maioria dos homens atribui a nova fase da vida à falência do papel tradicional de provedor econômico e de referência familiar.” 

Convívio familiar

Também preocupa o avanço dos casos entre crianças e adolescentes. Em 2015, essa foi a sétima causa de mortalidade entre brasileiros de 10 a 14 anos, e a terceira entre jovens de 15 a 29, faixa etária que tem taxa de nove ocorrências em cada 100 mil pessoas. Alguns estudos estão ajudando a compreender o fenômeno. 

No Canadá, uma pesquisa realizada no Hospital St. Michael constatou que adolescentes de 12 a 17 anos retirados do convívio familiar têm risco duas vezes superior de tentar suicídio mais de uma vez, comparado a outros jovens que também já foram atendidos em emergências com lesões autoprovocadas. Da mesma forma, meninos e meninas com diagnóstico de doença mental apresentaram risco dobrado de uma segunda tentativa. 

Mundialmente, 19,8% dos adolescentes têm ideações suicidas e, entre 3% e 8%, já fizeram tentativas, segundo o psiquiatra Paramala J. Santosh, do Grupo Acadêmico de Saúde Mental da Criança e do Adolescente do King’s College de Londres. Além dos transtornos de humor, do abuso de álcool e outras substâncias e de tentativas anteriores, ele destaca efeitos da mídia, histórico familiar, adversidades familiares, alienação social, disponibilidade de meios e exposição ao comportamento suicida como fatores de risco. 

Em um comunicado divulgado pelo Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia, Santosh faz um alerta: “A progressão de ideação suicida para a automutilação e, daí, para o suicídio não é absoluta. A automutilação pode escalar, e isso pode ser um marcador para suicídio. O risco de suicídio entre pacientes que se mutilam é centenas de vezes maior do que na população em geral”.   

Números no Brasil

De cada 100 brasileiros, 17 já pensaram, em algum momento, em tirar a própria vida. Desses, cinco planejaram o suicídio, três tentaram e um chegou a ser atendido em emergência, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)

Principais fatores de risco

1. Doenças mentais: depressão, transtorno bipolar, transtornos associado a abuso de álcool e outras drogas, transtorno de personalidade e esquizofrenia
2. Aspectos sociais: ser do gênero masculino; ter entre 15 e 30 anos ou mais de 65; não ter filhos; morar em áreas urbanas; estar desempregado ou aposentado; viver em isolamento social; ter perdido o vínculo familiar; e pertencer a certos grupos, como indígenas, adolescentes, pessoas em situação de rua
3. Aspectos psicológicos: ter passado por perdas recentemente; apresentar pouca resiliência; apresentar personalidade impulsiva, humor instável ou agressividade; ser vítima de abuso físico ou sexual na infância; vivenciar desesperança, desespero ou desamparo
4. Condições de saúde: doenças orgânicas incapacitantes, dor crônica, doenças neurológicas, trauma medular, tumor maligno, HIV/Aids

Fatores de proteção

  • Ausência de doença mental
  • Bom suporte familiar
  • Laços sociais
  • Religiosidade (independentemente da afiliação religiosa)
  • Conviver com crianças em casa

Mitos sobre o suicídio

Não é verdade que:
  • Suicídio é uma decisão individual e de livre arbítrio;
  • Quando uma pessoa pensa em suicídio, terá esse risco para sempre;
  • Tentar suicídio é só uma ameaça;
  • Não se deve falar sobre o tema;
  • A mídia não deve abordar o assunto.

Por Correio Braziliense

Agrestina-PE: Desafios da saúde mental coletiva foram discutidos em II Fórum no município

Na manhã desta quinta-feira (06) a Secretaria de Saúde da cidade de Agrestina promoveu o II Fórum de Saúde Mental do município. O evento contou com uma roda de conversas que teve como a temática: “Desafios atuais da saúde mental coletiva.”

II Fórum saúde

II Fórum saúde 15Palestraram durante o encontro a coordenadora de Saúde Mental de Caruaru, Rita Acioli, estagiários do curso de psicologia da Unifavip/DeVry, o coordenador de Saúde Mental de Agrestina, Júlio César de Espíndola e a psiquiatra Danielle Angelle.

II Fórum saúde 03

O evento contou com diversas autoridades locais como o Secretário de Saúde de Agrestina, Roberval Maciel, o Secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, Marciano Filho, a coordenadora da Atenção Básica, Thadyma Siqueira, o Vereador Zito da Barra, entre outros.

II Fórum saúde 06

II Fórum saúde 04

II Fórum saúde 05

II Fórum saúde 07

Durante o Fórum, o Secretário Roberval Maciel falou das dificuldades pelas quais o nosso país está passando.

“Agrestina permanece oferecendo atendimento de qualidade em todas as esferas da Saúde.” – afirmou o secretário.

Roberval ainda ressaltou ainda que a equipe que vai atender a população no PSF de Campo Novo já está definida e a previsão é de que ainda este mês os serviços de saúde comecem a ser oferecidos, beneficiando centenas de pessoas. Cerca de dez profissionais vão trabalhar no PSF, que recebeu o nome de Pedro Mendes da Silva (Pedro Mena).

II Fórum saúde 09

Como convidados, estavam presentes enfermeiros e técnicos de enfermagem do município, as equipes do NASF e do CAPS de Agrestina e estudantes do curso de Psicologia da Unifavip/DeVry. Durante o Fórum, foi realizada uma exposição com peças feitas pelas pessoas atendidas pelo Caps durante as oficinas que acontecem diariamente na unidade.

II Fórum saúde 10

II Fórum saúde 12

II Fórum saúde 13

Foram apresentados também, em números relativos, a média anual de atendimentos do CAPS Agrestina, onde pode-se destacar: 180 visitas domiciliares em Saúde Mental, 900 atendimento ambulatorial psiquiátrico, 350 consultas psiquiátricas,  1500 consultas de enfermagem e 250 oficinas terapêuticas.

II Fórum saúde 14

TV REPLAY, O QUE É BOM SE REPETE!

Garanhuns-PE: Capacitação regional visa melhor atendimento ao usuário de drogas e seus familiares

A V GERES – Gerência Regional de Saúde está capacitando turmas de profissionais em vários municípios da região, no Projeto “Caminhos do Cuidado”, que se configura na formação de agentes comunitários de saúde, auxiliares e técnicos de enfermagem da saúde da família – saúde mental com ênfase em crack, álcool e outras drogas, visando melhorar a atenção ao usuário e seus familiares, através da Rede de Atenção Básica à Saúde.

Algumas cidades já foram contempladas, como Águas Belas; Garanhuns e Itaíba, aliás, foi formada uma turma no município de Itaíba com as tutoras Luselle Ferro e Janaína Ramos, onde os ACSs e ATENFs encerraram com apresentação teatral para os diversos secretários municipais e profissionais de saúde, relatando a importância de trabalhar o atendimento aos usuários de drogas, visando sempre a redução de danos.

O projeto Caminhos do Cuidado envolve  as instituições Fiocruz (RJ), através do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica (ICICT), o Grupo Hospitalar Conceição (RS) e a Rede de Escolas Técnicas do SUS. O Ministério da Saúde está oferecendo desde 2013 e 2014, cursos de formação para a totalidade dos agentes comunitários de saúde distribuídos por todos os estados e regiões do país.

Além desse público de agentes comunitários, o projeto vai abranger ainda um auxiliar ou técnico de enfermagem por cada equipe de saúde da família, perfazendo um total de 290.760 trabalhadores em saúde, que estarão recebendo informações sobre os melhores procedimentos e as práticas mais eficientes para o atendimento aos usuários de drogas, visando sempre a redução de danos.

Esta ação se insere no eixo do Cuidado do plano integrado de combate às drogas ‘Crack, é Possível Vencer’, sob responsabilidade do Ministério da Saúde e articulado pela Casa Civil.”

download

TV Replay, o que é bom se repete!

Bebês com baixo peso podem ter hiperatividade e depressão na infância

Um estudo apontou que os bebês nascidos com peso abaixo do normal têm maior chance de desenvolver hiperatividade e depressão na infância. Para chegar à conclusão, a pesquisa feita pela Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto comparou a saúde mental de 665 crianças, com idade entre 10 e 11 anos.

1

Estudo da USP aponta que recém-nascidos com baixo peso podem sofrer de depressão infantil Arquivo/Agência Brasil

Segundo a pesquisadora responsável, Claudia Mazzer Rodrigues, o estudo dividiu as crianças em cinco grupos de peso: muito baixo (abaixo de 1,5 quilos), baixo (1,5 kg a 2,5 kg), insuficiente (2,5 kg a 3 kg), normal (3 kg a 4,25 kg) e muito alto (acima de 4,25 kg). Esses valores são usados como referência pela Organização Mundial da Saúde.

No estudo, constatou-se que as crianças com peso muito baixo representam a maioria das que têm quadros de problemas mentais. Entre as 665 crianças avaliadas, 6,9% apresentavam indicadores de depressão. Os cientistas usaram questionários respondidos pelos pais e pelas próprias crianças.

No Brasil, de 0,4% a 3% das crianças sofrem de depressão. Entre os adolescentes, esse número varia de 3,3% a 12,4%. Quem tem a doença na infância e na adolescência apresenta mais chances de desenvolver depressão em idade adulta.

Especialistas definem como causas da depressão em crianças, como perda de vínculos afetivos, divórcio dos pais, falta de apoio familiar e violência física ou psicológica. Os pais devem ficar atentos aos primeiros sinais de alerta, que são queda do rendimento escolar, mudanças repentinas do estado de ânimo, isolamento e tristeza. 

Fonte: Fernanda Cruz – Agência Brasil