SAÚDE – Nova substância promete avanços no tratamento contra o linfoma de Hodgkin

Combinada com quimioterapia, tratamento consegue atacar as células doentes do sangue sem comprometer as saudáveis. Voluntários submetidos ao tratamento experimental têm redução de 23% no risco de progressão do câncer ou morte

No mundo, milhões de pacientes se beneficiam das mais recentes conquistas da medicina contra o câncer, embora a doença siga em avanço, com novas particularidades e alguns tipos mais resistentes aos tratamentos tradicionais. Para os médicos, drogas eficazes são primordiais para garantir o máximo de tempo livre de progressão da doença. Para quem tem carcinomas, a preocupação vai além: é essencial uma medicação que funcione, mas que seja tolerável. Mais de 30 mil pessoas reunidas na 59ª edição do Congresso da Sociedade Americana de Hematologia (ASH17), em Atlanta, acompanharam a divulgação de diversos estudos sobre novas terapias-alvo, que buscam justamente esse efeito: atacar o câncer em nível molecular, ou seja, atingi-lo diretamente sem prejudicar as células saudáveis do paciente.

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Uma das notícias mais animadoras tem como objetivo o combate ao linfoma de Hodgkin (LH). De acordo com o autor do estudo Echelon-1, o diretor clínico do British Columbia Cancer Agency Center, em Vancouver (Canadá), Joseph M. Connors, os pacientes foram tratados com um conjugado anticorpo fármaco (ADC, na sigla em inglês), o brentuximab vedotin (BV), da Seattle Genetics. Associado a um tratamento quimioterápico, o anticorpo monoclonal se conecta diretamente aos receptores das células desse tipo de câncer (CD30) e passa a matá-las. É a primeira vez que uma droga destinada a tirar proveito de uma característica biológica específica das células desse câncer é utilizada no tratamento inicial da doença.

Os resultados representam um ganho importante, principalmente para pacientes que não respondem ao primeiro curso do tratamento, chamado de primeira linha. Os voluntários submetidos a testes com a substância tiveram redução de 23% no risco de progressão da doença ou morte, em comparação com aqueles que receberam o regime padrão inicial de tratamento. A maior vitória, segundo os especialistas, é o fato de a abordagem evitar a necessidade de terapia adicional e mais intensiva. “Os resultados do estudo representam o primeiro esforço bem-sucedido em mais de 30 anos para melhorar os resultados do tratamento de primeira linha em pacientes com LH avançado, sem aumentar a toxicidade da quimioterapia para níveis inaceitáveis”, disse Connors.

O tratamento padrão para o linfoma de Hodgkin não mudou desde a década de 1970. Hoje, aproximadamente 30% dos pacientes não respondem ao tratamento original. No estudo, 1.134 voluntários com a doença em estágio avançado e não tratada foram aleatoriamente selecionados para receber ABVD — o tratamento atual, que usa as drogas adriamycin, bleomicina, vinblastina e decarbazina — ou o BV associado a doxorrubicina, vinblastina e dacarbazina (AVD). Embora a segunda combinação tenha causado mais danos aos nervos, houve menos episódios de febre e neutropenia (baixo nível de glóbulos brancos). A combinação experimental retirou a bleomicina, que foi associada ao dano pulmonar e, às vezes, à morte. “Se esse novo regime for amplamente adotado, ele mudará o tratamento de primeira linha do LH avançado”, afirmou o especialista.

Alto custo

O oncologista e hematologista Daniel Tabak, do Rio de Janeiro, acompanhou a apresentação dos resultados e destacou que a imuno-oncologia, como é chamada essa especialidade, vem dominando todos os aspectos que certamente tomarão conta desse novo cenário contra o câncer no mundo. Ele também ressaltou que o brentuximab pode, potencialmente, substituir o tratamento existente, que conta com uma série de complicações. “Para o Brasil, o desafio é grande e precisamos, claro, ter alguns cuidados antes de implantar esse novo conhecimento. Mas é um grande avanço poder retirar e suprimir a bleomicina”, destacou.

Opinião semelhante é a do hematologista Guilherme Perini, do Hospital Albert Einstein, que ressalta que o valor da medicação será um impasse para o medicamento no Brasil. “O estudo é grande e bem-feito, mas ainda não vai ser tão fácil de incorporar à nossa realidade por conta de custos. Mas, em relação à toxicidade, o resultado é muito bom. A quimioterapia está ficando para trás”, analisou.

As reações adversas das medicações tradicionais são um dos grandes desafios da imuno-oncologia. A quimioterapia, por exemplo, é necessária na maioria dos tratamentos contra câncer, mas é extremamente agressiva ao doente, porque funciona matando células no corpo que estão crescendo e se dividindo rapidamente. A químio ainda não é capaz de distinguir as células doentes das saudáveis e acaba matando todas, um efeito por vezes devastador à imunidade do paciente.

As terapias-alvo, em contrapartida, neutralizam as características genéticas que tornam as células cancerígenas diferentes das normais, evitando que elas aumentem e se espalhem. Como essas intervenções são projetadas especificamente contra células de câncer, segundo os pesquisadores, elas geralmente têm efeitos colaterais diferentes e mais suportáveis.

Por Correio Braziliense

Ficar sentado mais de 3 horas por dia é associado a 433 mil mortes por ano

Estudo brasileiro associa o hábito de ficar sentado mais de três horas por dia a 433 mil mortes por ano em 54 países. Até mesmo quem pratica exercícios físicos está vulnerável

No início, os ancestrais humanos viviam de galho em galho. Depois, desceram da árvore e ganharam o mundo sobre duas pernas. Em pouco mais de um século, porém, o Homo sapiens assumiu uma nova postura, que, dessa vez, nada tem a ver com o processo evolutivo. É numa cadeira que o homem moderno passa a maior parte do dia. Na internet, existe até piada sugerindo que o nome da espécie seja alterado para Homo sedentarius. Esse comportamento, embora pareça inevitável, é perigoso. Segundo um estudo brasileiro publicado na revista American Journal of Preventive Medicine, permanecer sentado mais de três horas por dia está diretamente associado a 3,8% dos óbitos por todas as causas no mundo. O mais grave é que a estatística inclui mesmo quem se exercita com regularidade.

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O trabalho dos pesquisadores do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo (USP) usou dados da literatura científica produzida em 54 países para calcular a média de horas diárias em que as pessoas passam sentadas e o quanto isso contribui para aumentar a mortalidade. De acordo com o líder do estudo e autor correspondente do artigo, Leandro Rezende, desde 2010, pesquisas indicam a relação entre esse hábito e o número aumentado de óbitos, mas, além de apresentar cálculos para uma quantidade expressiva de países, o grupo da USP quis verificar se a prática de exercício físico poderia reduzir os riscos associados.

A meta-análise mostra que, ajustando todos os fatores que influenciam na mortalidade, ficar sentado por mais de três horas é um hábito associado ao risco aumentado de óbito em todos os lugares analisados, que, juntos, representam 25% da população adulta mundial. Em média, os habitantes desses países passam 4,7 horas/dia nessa posição, variando de 4,2 horas (países americanos) a 6,2 horas (países do Pacífico Ocidental). No geral, ficar mais de três horas por dia sentado foi responsável por 433 mil mortes, ou 3,8% de todos os óbitos registrados nas 54 nações analisadas, com percentuais variando de 2% no sudeste asiático para 5,7% no Pacífico Ocidental. Rezende esclarece que não havia literatura científica sobre o Brasil contendo esses dados, mas que a realidade do país se insere no que foi observado em relação às Américas em geral.

Ao mesmo tempo, remover alguns minutos do tempo em que se passa sentado foi capaz de reduzir a mortalidade. “Mesmo reduções modestas, como 10% do tempo médio, ou 30 minutos por dia, teriam impacto na mortalidade por todas as causas nos 54 países avaliados. Mudanças mais robustas, como 50% de redução, ou duas horas, representariam ao menos três vezes menos mortes, comparando com o primeiro cenário”, diz o pesquisador da USP.

Mudanças contextuais

Porém, ao contrário do que já se sugeriu, a prática regular de exercícios físicos não foi capaz de diminuir o risco de morte no caso de pessoas que passavam mais de três horas sentadas. Por isso, Rezende destaca que é preciso investir em mudanças contextuais, não apenas no ambiente de trabalho, mas também nas cidades, para permitir que a população passe mais tempo se movimentando. “Não depende da força de vontade e da motivação individual de fazer exercício. O tempo que passamos trabalhando sentados é altamente determinante, assim como a forma que as cidades estão planejadas. Precisamos de calçadas bem cuidadas, de ciclovias, de um ambiente social mais favorável à prática de atividades em vários momentos, seja na forma de transporte e deslocamento, seja nas atividades do dia a dia”, defende.

O pesquisador da USP esclarece que a linha de investigação que associa o tempo em que se passa sentado e o risco de morte é recente e que, portanto, é preciso cautela na interpretação dos resultados. “Não sabemos ainda se há uma relação causal, como é a do tabagismo com o câncer de pulmão, por exemplo. Há indícios dessa causalidade, mas isso precisa ser confirmado”, diz.

O cardiologista Fausto Stauf-fer, coordenador de Cardiologia do Hospital Santa Lúcia Norte e diretor científico da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), explica que estudos anteriores mostram que ficar sentado por muito tempo afeta negativamente as taxas de glicose e colesterol, além do índice de massa corporal (IMC) e da circunferência da cintura, mesmo em indivíduos que praticam exercícios físicos. A alteração desses parâmetros fisiológicos poderia explicar o aumento da mortalidade, ao menos nos casos de óbitos por doenças cardiovasculares. “A gente ainda não sabe o porquê disso. Em termos de orientação, o que podemos é dizer para as pessoas controlarem melhor os outros fatores de risco e tentarem ficar mais em pé.”

Por Paloma Oliveto do Correio Braziliense

Estudo confirma risco quatro vezes maior de trombose em mulheres que tomam pílulas de nova geração

Os pesquisadores também observam que o risco absoluto permanece baixo e que os contraceptivos orais são “extremamente seguros”

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Paris (AFP) – As pílulas anticoncepcionais mais recentes têm um risco aumentado de acidentes devido à trombose venosa (formação de coágulos) – confirmou um estudo publicado nesta quarta-feira na revista especializada The BMJ Today.
Conduzida por pesquisadores britânicos, o novo estudo mostra que as mulheres que tomam contraceptivos orais combinados que contêm drospirenona, desogestrel, gestodeno e ciproterona têm um risco de trombose venosa quadruplicado em relação àquelas que não tomam pílula.
O risco é quase duplicado (1,5 a 1,8 vezes superior) em relação às mulheres que tomam contraceptivos orais de estrogênio mais antigos, que contêm levonorgestrel, noretisterona ou norgestimata.
Na França, os riscos cardiovasculares das pílulas de nova geração à venda no mercado – também chamadas de pílulas de terceira e quarta geração – foram bastante explorados pela mídia no final de 2012 e início de 2013.
A mediatização e um plano de ação das autoridades sanitárias levaram a uma redução de quase 25% das vendas destes comprimidos em favor das pílulas mais antigas, também chamadas de primeira e segunda geração.
Os pesquisadores da Universidade de Nottingham trabalharam sobre duas grandes bases de dados médicos e traçaram uma relação entre o uso de contraceptivos orais e as tromboses venosas observadas nas mulheres com idades entre 15 e 49 anos.
Foi possível mostrar que o número de tromboses a mais por 10.000 mulheres tratadas por ano foi menor (6 casos relatados) entre aquelas que tomam as pílulas mais velhas em comparação com aquelas (14 casos) que tomam desogestrel e ciproterona (encontrados na pílula Diane, por exemplo).
Mas os pesquisadores também observam que o risco absoluto permanece baixo e que os contraceptivos orais são “extremamente seguros”, com um risco de trombose multiplicado por 3 para todas as pílulas combinadas, enquanto uma mulher grávida tem um risco multiplicado por dez.
O estudo confirma os resultados de um estudo dinamarquês publicado em 2011, e um estudo abrangente do sistema de saúde francês, que tinha mostrado uma duplicação do risco de embolia pulmonar (a consequência mais grave da formação de um coágulo nas veias) em usuárias das pílulas de nova geração.
A pedido da França, a Agência Europeia de Medicamentos (AEM) fez uma reavaliação dos riscos, mas concluiu que os benefícios dos anticoncepcionais de terceira e quarta gerações continuavam superiores aos riscos.

Da AFP - Agence France-Presse

Bebês com baixo peso podem ter hiperatividade e depressão na infância

Um estudo apontou que os bebês nascidos com peso abaixo do normal têm maior chance de desenvolver hiperatividade e depressão na infância. Para chegar à conclusão, a pesquisa feita pela Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto comparou a saúde mental de 665 crianças, com idade entre 10 e 11 anos.

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Estudo da USP aponta que recém-nascidos com baixo peso podem sofrer de depressão infantil Arquivo/Agência Brasil

Segundo a pesquisadora responsável, Claudia Mazzer Rodrigues, o estudo dividiu as crianças em cinco grupos de peso: muito baixo (abaixo de 1,5 quilos), baixo (1,5 kg a 2,5 kg), insuficiente (2,5 kg a 3 kg), normal (3 kg a 4,25 kg) e muito alto (acima de 4,25 kg). Esses valores são usados como referência pela Organização Mundial da Saúde.

No estudo, constatou-se que as crianças com peso muito baixo representam a maioria das que têm quadros de problemas mentais. Entre as 665 crianças avaliadas, 6,9% apresentavam indicadores de depressão. Os cientistas usaram questionários respondidos pelos pais e pelas próprias crianças.

No Brasil, de 0,4% a 3% das crianças sofrem de depressão. Entre os adolescentes, esse número varia de 3,3% a 12,4%. Quem tem a doença na infância e na adolescência apresenta mais chances de desenvolver depressão em idade adulta.

Especialistas definem como causas da depressão em crianças, como perda de vínculos afetivos, divórcio dos pais, falta de apoio familiar e violência física ou psicológica. Os pais devem ficar atentos aos primeiros sinais de alerta, que são queda do rendimento escolar, mudanças repentinas do estado de ânimo, isolamento e tristeza. 

Fonte: Fernanda Cruz – Agência Brasil

Criança que foi contaminada com o vírus HIV pela mãe é curada, mostra estudo

ÍndicehivUma equipe de médicos norte-americanos anunciou o primeiro caso de cura funcional de uma criança de 2 anos, que desde o nascimento foi contaminada com o vírus HIV, transmitido pela mãe soropositiva. De acordo com os especialistas, trata-se de eliminação viral. A criança ficou em tratamento por um ano e meio. Ela foi medicada com antirretrovirais e não apresenta mais sinais do vírus no organismo.

Para os pesquisadores, o tratamento precoce explica a cura funcional, bloqueando a formação de “estoques virais escondidos”. O caso foi apresentado durante a 20ª Conferência Anual sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (Croi), em Atlanta, na Geórgia.

A médica  Deborah Persaud, do Centro Infantil Johns Hopkins, do Hospital Universitário de Baltimore (Maryland, nos Estados Unidos), principal autora do estudo, disse que é fundamental que a terapia com antirretrovirais seja introduzida o mais cedo possível para impedir o avanço desses estoques escondidos.

A única cura completa de pessoa contaminada com o vírus HIV, que foi oficialmente reconhecida, é a do norte-americano Timothy Brown, conhecido como o paciente de Berlim. Ele foi declarado curado depois de um transplante de medula óssea de um doador que tinha uma mutação genética rara, que impedia o vírus de penetrar nas células. O transplante foi concebido para tratar a leucemia.

Fonte: Agência Brasil

Cresce número de jovens que não estudam e nem trabalham

Entre os anos 2000 e 2010, o número de jovens que não estudam, não trabalham e não procuram emprego aumentou em 708 mil pessoas. A proporção passou de 16,9% para 17,2% das pessoas entre 15 e 29 anos.

Em nota técnica divulgada hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), as pesquisadoras Ana Amélia Camarano e Solange Kanso alertam para as implicações sociais dessa constatação do Censo 2010.  “Isso [os dados] coloca a necessidade de políticas públicas que contribuam para uma inserção adequada desses jovens, seja na escola ou no mercado de trabalho”, dizem as pesquisadoras.

Entre os homens nessa faixa etária, 11,2% estavam nessa situação em 2010, enquanto entre as mulheres o percentual foi 23,2%, sendo que dois terços das mulheres que não estudavam e não trabalhavam eram casadas e 61,2% tinham filhos.

A grande maioria dos homens vivia com os pais, mesmo com a queda de 71,8% em 2000 para 62,6% em 2010. A proporção de chefes de domicílio subiu de 10,8% para 11,2%. Enquanto a renda familiar média nas residências com jovens que não estudam nem trabalham era R$ 1.621,86 , nas famílias com jovens que estudam e trabalham o valor sobe para R$ 3.024,34.

Quanto à escolaridade, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2011 mostra que os homens nessa condição tinham em média sete anos de estudo, enquanto as mulheres tinham oito anos. A escolaridade do chefe do domicílio na faixa estudada era mais baixa, o que aponta, segundo as pesquisadoras, que a da pessoa de referência na família influencia na frequência escolar do jovem e na renda familiar.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br