Belo Jardim-PE: Diante de um cenário de crise, jovens contam suas experiências de como chegaram no mercado de trabalho

O Brasil tem enfrentado um momento muito difícil em relação à economia. Sendo um país totalmente capitalista, onde existe uma batalha diária de milhões de brasileiros que estão em constante busca para alcançarem seus ideais, desde cedo, muitas vezes até antes de atingir a maioridade, jovens lutam por oportunidades dentro do mercado de trabalho, setor que também tem sofrido com a crise econômica, deixando muitos cidadãos desempregados.

No município de Belo Jardim, localizado no Agreste de Pernambuco, isso não acontece de forma diferente. Jovens da cidade têm buscado garantir os seus lugares diante do concorrido e restrito mundo do mercado de trabalho. A cidade dispõe de inúmeras empresas reconhecidas em todo estado, viabilizando assim, vagas de emprego para os munícipes.

Neste momento delicado de crise financeira, o comércio local enfrenta dificuldades nos índices de contratações que têm diminuido, segundo o CDL. O desafio também é enfrentado até por quem já está inserido no mercado de trabalho, tendo que fazer de tudo para manter-se nele.

Diante desse cenário, a equipe de reportagem da TV Nova Replay esteve com alguns jovens, questionado-os sobre os maiores desafios que enfrentaram até chegar onde estão, levando em conta a dificuldade atual do nosso país.

Marcielle Samara é empreendedora no ramo de estampas em vestuários e objetos, e contou detalhes de sua trajetória até conquistar os seus sonhos.

“Chamo-me Marcielle Samara Nogueira da Silva, tenho 22 anos, casada e estudo na Universidade Federal de Pernambuco, no curso de Design. Desde muito nova, sempre fui muito criativa e conseguia desenvolver trabalhos na área artística com facilidade e foi daí que surgiu o desejo de me especializar numa área que me possibilitasse criar, produzir e ser minha própria “patroa”. Mas nem sempre foi tão fácil assim. Aos 17 anos comecei no mercado de trabalho em outras áreas para conseguir ajudar em casa nas despesas, mas não me encontrei em nenhuma delas, pois eu sabia que não era isso que eu queria. No finalzinho de 2014, comecei meu primeiro trabalho de carteira assinada, onde tive experiências boas e ruins que me mostraram mais uma vez que eu não estava no ramo que eu deveria estar. Pedi demissão, vieram as dificuldades financeiras e com isso um impulso para arriscar no mercado que eu sempre quis e sonhava, que era uma estamparia com produtos personalizados e também que levasse o nome de Deus em nossa marca. Com a ajuda do Senhor e com o total apoio do meu esposo Alysson Oliveira, nós conseguimos comprar as nossas primeiras máquinas e assim começamos a empreender. No começo de qualquer negócio sempre enfrentamos algumas dificuldades, mas isso nos ensina a crescer e buscar a cada dia aperfeiçoar nosso trabalho. Hoje trabalhamos com estampas em camisas, canecas e almofadas, muitos outros degraus nós ainda precisamos subir para conseguirmos nos manter apenas com o nosso negócio, mas eu posso dizer que já me sinto realizada por tudo o que Deus tem feito por nós!” – Declarou a jovem empreendedora Marcielle.

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Marcielle usando uma das camisas estampadas de sua empresa

O jovem Rodrigo externou sua satisfação em poder trabalhar e tornar-se um cidadão independente.

“Me chamo Rodrigo Veloso, tenho 21 anos, trabalho em uma sapataria muito famosa do município e minha experiência aqui tem sido boa. Afinal, nunca tinha trabalhado antes e aprendi muitas coisas aqui. Agora cursando faculdade de Administração, quero crescer na vida.”, – Afirmou o jovem.

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Allan Everton trabalha com a família desde os seus 12 anos e mostrou-se satisfeito por ter começado a trabalhar muito cedo.

“Me chamo Allan Everton, tenho 22 anos, sou estudante de Nutrição e trabalho na confecção do meu pai (Allan Kid’s) desde os 12 anos. No início eu tirava as pontas de linhas e sou grato a Deus pelo meu pai, por ter me colocado na mesma profissão que a dele. Hoje estou cursando faculdade que eu sonhava e tudo graças à confecção e por eu ter despertado o desejo de trabalhar desde criança.” – Declarou Allan.

Allan (de camisa laranja) e sua família

Allan (de camisa laranja) e sua família

Aos seus 29 anos, Getúlio Alves já conquistou patamares que um dia foram sonhos não só dele, mas de toda sua família.

“Meu nome é Getúlio Alves, tenho 29 anos, sou casado, sou Engenheiro Civil, sou pós-graduando em Engenharia de Segurança do Trabalho e Técnico em Eletromecânica. Atualmente atuo como Trainee na Viana e Moura Construções há 2 anos e 4 meses como Gerente de Produção de Estruturas Metálicas na Madelar Indústria e Comércio. Trabalhei por 1 ano como Projetista na Isoeste Construtivos Isotérmicos e desempenhei durante 4 anos a função de Técnico de Produto na Acumuladores Moura. Desde cedo acompanhei meus pais em suas rotinas de trabalho, fui aos roçados, nos aventuravamos em feiras livres, quitandas e também em outros tipos de vendas informais. Mas apesar de ajudá-los, sempre fui incentivado e motivado por eles para estudar e correr atrás de um “algo a mais”. Aos 16 anos ingressei no curso de Mecânico de Manutenção de Máquinas em Geral onde após conclusão, pude fazer a especialização para Técnico em Eletromecânica. Nessa época, no período vago fui aprendiz de Digitação e Desenhos em duas gráficas: a Infográfica (atualmente Digital) e logo mais na MSInfo (atualmente Microtec informática). Agradeço a Deus por Ele estar sempre presente, fazendo com que tudo se torne possível e aos meus pais, esposa e irmão, por me motivarem e apoiarem nos momentos difíceis desse percurso.” – Disse Getúlio Alves.

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Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal

Diante de tantos exemplos de luta e dedicação, pode-se perceber a ousadia destes jovens belojardinenses diante do concorrido mercado empreendedor e das diversas áreas de trabalho. Os desafios são constantes, porém, a vontade de crescer e se tornar uma pessoa bem sucedida são maiores do que qualquer dificuldade que apareça. É importante frisar que a maioria dos jovens estão em processo acadêmico e visam um futuro de vida estabilizada diante de um contexto totalmente capitalista, no qual não só os brasileiros estão inseridos, mas grande parte da população mundial.

Reportagem: Matheus Breno