Caruaru-PE: Companhia de abastecimento de água divulga estratégia para minimizar efeitos da seca

A Compesa anunciou hoje (15/07), em Caruaru, a estratégia da companhia para minimizar os efeitos da seca excepcional que o agreste pernambucano atravessa, segundo a classificação do Programa Monitor de Seca, oriundo do estudo financiado pelo Banco Mundial. Em virtude do quinto ano consecutivo de seca, a pior dos últimos 50 anos, o principal manancial do Agreste, a Barragem de Jucazinho, localizada na cidade de Surubim, está com apenas 3,88% da sua capacidade, a pior performance do reservatório desde 2004, quando a barragem passou a ser usada para abastecimento humano. Segundo o diretor do Interior da Compesa, Leonardo Selva, se não chover nos próximos 20 dias na Bacia do Capibaribe, que alimenta Jucazinho, a companhia fará uso do volume morto do manancial para evitar o colapso do abastecimento em 12 municípios de um total de 15 atendidos pelo sistema.
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Algumas ações serão realizadas em caráter emergencial, com um investimento de R$ 1,3 milhão, para evitar o colapso de Jucazinho e, portanto evitar que 12 cidades que dependem exclusivamente da barragem, como é o caso de Surubim fiquem completamente sem água. As outras três cidades que recebiam reforço de Jucazinho, Caruaru, Bezerros e Gravatá serão atendidas por sistemas próprios.
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Caruaru será atendida pela Barragem do Prata, que conseguiu armazenar água com as chuvas ocorridas nos últimos meses e está com 63% da sua capacidade total. Sem a contribuição de Jucazinho, será necessário ampliar o racionamento de água na cidade. “O aumento, porém, será menor do que prevíamos, graças às ações que estamos desenvolvendo e que iremos implementar”, afirmou Leonardo Selva. Em Caruaru, a Compesa está instalando novos registos na cidade, como também trocando tubulações e realizando ações de controle operacional para maximizar o uso da água disponível. Uma obra de inversão da água da Estação de Tratamento de Água Petrópolis para a Estação do bairro do Salgado será iniciada na próxima segunda-feira (20/07). A intervenção vai durar cerca de 30 dias e irá permitir que a água do Prata possa ser distribuída para toda a cidade de Caruaru, de acordo com o calendário de abastecimento a ser divulgado. Outra ação será o reuso da água da lavagem de filtros, que também será utilizada como estratégia para garantir mais água para Caruaru em torno de 50 litros por segundo.
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Segundo Leonardo Selva, na próxima segunda-feira (20/07) será iniciada a obra para construção de uma nova captação flutuante na barragem para permitir a retirada da água que não consegue mais ser bombeada devido ao baixo nível e reservação. Os técnicos estimam que, em aproximadamente 15 a 20 dias, a barragem atingirá o volume morto quando chegar aos 3% da sua capacidade a obra custará R$ 700 mil e ficará pronta em 30 dias. Com esta alternativa técnica, a Compesa prevê que a água do volume morto de Jucazinho dará para atender as 12 cidades até dezembro deste ano ou janeiro de 2016. Já as outras cidades, Caruaru, Bezerros e Gravatá, tem fontes hídricas próprias e são alimentados por outras bacias hidrográficas, onde há a ocorrência de chuvas com mais intensidade e frequência. “Os níveis atuais das barragens do Prata (Caruaru), Brejão (Bezerros) e Amaraji (Gravatá) irão garantir o abastecimento até o próximo inverno”, prevê o diretor de Interior da Compesa.
A longo prazo, Leonardo Selva, antecipou que a Compesa está desenvolvendo um projeto para executar a obra de transposição da barragem de Pirangi, em Escada, para reforçar a Barragem do Prata, situada em Bonito, e que irá atender a cidade de Caruaru. “Essa obra será executada em 12 meses e vai evitar que, em situação de seca, o Prata seja alimentado e que não falte água para o município”, adiantou Leonardo Selva. O investimento será de R$ 60 milhões, recursos do governo do Estado e do governo federal. “Estamos vivendo um momento crítico, mas o governo tem empreendido esforços para reduzir o impacto da estiagem na vida dos pernambucanos”, complementou.
Barragem de Jucazinho
A barragem é localizada no município de Surubim e foi inaugurada em 1988. Em 2000, o manancial começou a abastecer a cidade de Surubim e, posteriormente, passou a atender mais 14 cidades do Agreste pernambucano. O Sistema Jucazinho é dividido em dois tramos: Norte e Sul. As cidades atendidas são: Surubim, Frei Miguelinho, Toritama, Santa Maria do Cambucá, Vertentes, Vertente do Lério, Casinhas, Frei Miguelinho, Cumaru, Passira, Riacho das Almas, Caruaru, Bezerros, Gravatá, Santa Cruz do Capibaribe. A barragem tem a capacidade de armazenar 327 milhões de metros cúbicos de água. Hoje, o manancial está com apenas 3,88% da capacidade, o que corresponde a 12 milhões e 680 mil metros cúbicos de água. Desde a sua inauguração, Jucazinho nunca enfrentou uma estiagem tão severa e segundo os técnicos da Compesa, cumpriu o seu papel, ao garantir o abastecimento de água para 15 cidades no quinto ano de seca consecutivo. Em maio-junho de 2011, a barragem de Jucazinho verteu.
Dados do Sistema Jucazinho:
Sistema dividido em dois tramos: norte e sul
Volume total da barragem: 327.000.000 m³
Extensão total de adutoras: 206 Km
Quantidade de estações elevatórias: 08
Capacidade total de produção da barragem: 1.250 l/s
Retirada atual da barragem: 645 l/s,
Sendo 165 l/s tramo norte e 480 l/s para tramo sul
Volume atual: 12.680.000 m³
Atualmente funcionamento de apenas 01 CMB por unidade
Percentual atual: 3,88%.
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