Animais agonizando são mortos a tiros em Brumadinho

Forma de abatimento para sacrifício é feita devido a dificuldade no acesso

As forças de segurança responsáveis pelas buscas em Brumadinho afirmam que animais presos na lama do rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, da Vale, só são mortos se estiverem agonizando.

Segundo Corpo de Bombeiros, 26 animais foram resgatados e levados para duas fazendas, onde recebem atendimento veterinário Foto: Mauro Pimentel/AFP

Segundo Corpo de Bombeiros, 26 animais foram resgatados e levados para duas fazendas, onde recebem atendimento veterinário
Foto: Mauro Pimentel/AFP

O abatimento de animais a tiros por helicópteros da Polícia Rodoviária Federal se tornou alvo de polêmica nesta terça-feira (29). Segundo o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros, o sacrifício é feito normalmente com injeção letal, mas outros métodos estão sendo utilizados devido à dificuldade de acesso aos animais.

Sobretudo vacas e aves estão presos na lama. Segundo Aihara, 26 já foram resgatados e levados para duas fazendas, onde recebem atendimento veterinário. Há ainda animais presos na lama que estão recebendo água e comida enquanto aguardam o resgate.

“Na cena crítica, temos alguns animais que estão recebendo no local alimentação e água, porque a remoção ainda não é possível. A prioridade é o salvamento de pessoas ainda. No momento adequado, serão recolhidos”, disse o coronel Evandro Borges, chefe do gabinete militar e da Defesa Civil de Minas Gerais.

Resgate a animais em região afetada pelo rompimento de barragem de rejeito da mineradora Vale - Crédito: Mauro Pimentel/AFP

Resgate a animais em região afetada pelo rompimento de barragem de rejeito da mineradora Vale – Crédito: Mauro Pimentel/AFP

Borges pediu que o sacrifício de animais não seja polemizado. “Não vamos polemizar essa situação, que é algo dentro do procedimento de atendimento de socorrimento de uma crise dessa natureza.” Aihara afirmou que os animais abatidos apresentam fraturas ou perfurações que tornam impossível o seu salvamento.

Segundo as forças de segurança, o resgate e o abate de animais está sendo acompanhado por veterinários, inclusive alguns cedidos pela Vale, e pelo Ibama. “O abate somente é efetuado em último caso, quando os animais estão agonizando em estado terminal”, disse Borges.

Há uma avaliação dos veterinários para recomendar ou não o sacrifício do animal. “Não é ético insistir no sofrimento desses animais”, completou Aihara. A Polícia Rodoviária Federal ainda enviará pronunciamento à imprensa sobre os tiros nos animais.

Animal preso na lama produto do rompimento de barragem de rejeitos da mineradora Vale - Crédito: Mauro Pimentel/AFP

Animal preso na lama produto do rompimento de barragem de rejeitos da mineradora Vale – Crédito: Mauro Pimentel/AFP

Denúncias e ativismo
A apresentadora de televisão Luisa Mell tem usado suas redes sociais para denunciar o descaso da mineradora Vale no salvamento de animais vítimas do rompimento da barragem de rejeitos da empresa, que aconteceu na última sexta-feira (25).

Ativista defensora dos animais, Luísa viajou a Brumadinho para auxiliar no mapeamento, com o objetivo de prospectar quantos bichos estão presos na lama, e acompanhar o resgate. Na segunda-feira (28), ela denunciou que a empresa estaria obstruindo seu acesso ao local do acidente.

“O lugar está fechado e a gente já sabe que tem animais ali. A gente não consegue passar de jeito nenhum. O Bombeiros (sic) já autorizou, mas o pessoal da Vale não autoriza”, publicou em vídeo em seu stories do Instagram.

Presidente da ONG Instituto Luisa Mell, a ativista deslocou uma equipe veterinária ao local, e tem pressionado as autoridades e a mineradora para que não negligenciem o salvamento dos bichos.

Por Portal FolhaPE e Folhapress