PT insiste em Lula e vai acionar ONU e STF

Haddad diz que PT vai recorrer ao STF e à ONU para garantir candidatura de Lula; partido vai postergar troca do cabeça da chapa para disputa presidencial

A cúpula do PT recebeu o aval de Luiz Inácio Lula da Silva para manter a estratégia que já vinha sendo desenhada desde sábado para adiar a troca na cabeça da chapa presidencial petista, mesmo diante da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de decretar a inelegibilidade do ex-presidente.

Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann na frente da Superintendência da PF em Curitiba GERALDO BUBNIAK / AGÊNCIA O GLOBO

Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann na frente da Superintendência da PF em Curitiba GERALDO BUBNIAK / AGÊNCIA O GLOBO

A avaliação é que para justificar aos eleitores a substituição por Fernando Haddad o partido precisa deixar claro que tentou até o fim manter Lula na disputa eleitoral. Pelo raciocínio dos petistas, só assim a transferência de votos do ex-presidente para o ex-prefeito será eficaz.

Por isso, na tarde desta segunda-feira, após duas reuniões que duraram mais de cinco horas com o ex-presidente na Superintendência da Polícia Federal do Paraná, onde ele cumpre pena por corrupção e lavagem de dinheiro, o candidato a vice na chapa presidencial do PT anunciou que o partido entrará com recursos no Supremo Tribunal Federal (STF) e na ONU.

Haddad chegou a cancelar uma atividade de campanha que teria no final da tarde em Porto Alegre para continuar a conversa em Curitiba com Lula. Essa foi a quinta vez em 20 dias que o candidato a vice do PT visitou o ex-presidente.

Expusemos ao presidente Lula todas as possibilidades jurídicas que estão a mão e ele tomou a decisão, em primeiro lugar, de peticionar junto à ONU que se manifeste sobre as decisões das autoridades eleitorais brasileiras.

Serão dois recursos com pedido de liminar, tanto na esfera criminal como na esfera eleitoral, para que ele tenha direito de registrar a sua candidatura no prazo que foi dado de dez dias. Para que não haja a necessidade de substituição no prazo de 10 dias que foi dado pelo Tribunal Superior Eleitoral .

Na madrugada de sábado, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu, por seis votos a um, barrar a candidatura de Lula, com base na Lei da Ficha Limpa. O ex-presidente foi condenado em segunda instância a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá. Os ministros também determinaram que o PT indique o substituto de Lula no prazo de dez dias.

A estratégia de adiar a troca só foi possível porque o TSE autorizou o PT a continuar exibir propaganda no horário eleitoral gratuito desde que não apresente Lula como candidato. Como não é candidato, Lula, de acordo com a legislação, pode aparecer em até 25% da propaganda.

No período até a troca, o PT deve usar a propaganda de televisão para vincular Haddad a Lula e apresentar o ex-prefeito de São Paulo ao eleitor. Ao mesmo tempo, vai propagar que a retirada de Lula da eleição é uma injustiça e que o TSE mudou o seu entendimento para tirar o ex-presidente da eleição.

Os petistas vão alegar que em outros disputas candidatos na condição de Lula (condenados em segunda instância) foram autorizados a concorrer sub júdice.

Após fazer o pronunciamento na frente da Polícia Federal em Curitiba, ao lado da presidente do PT, Glesi Hoffmann, Haddad anunciou que voltaria a São Paulo para cuidar da adequação dos programas eleitorais.

Por O Globo

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