Extrema pobreza aumenta no país, indica IBGE

O país observou aumento em 2017 das pessoas em situação de extrema pobreza, frente ao observado em 2016, divulgou o IBGE na manhã desta quarta-feira (5). Segundo a pesquisa Síntese dos Indicadores Sociais, o país teve aumento no percentual de domicílios com pessoas vivendo em níveis de extrema pobreza, quando considerado cinco de sete cortes de rendimentos analisados pelo instituto.

Em 2017, 26,5% dos domicílios brasileiros viviam com renda per capita de US$ 5,5 por dia Foto: Rafael Furtado / Folha de Pernambuco

Em 2017, 26,5% dos domicílios brasileiros viviam com renda per capita de US$ 5,5 por dia
Foto: Rafael Furtado / Folha de Pernambuco

No corte de domicílios com renda per capita de um quarto do salário mínimo (R$ 234,25), o país saiu de 12,6% dos domicílios em 2016 para 13% em 2017 -alta de 0,4 ponto percentual no intervalo de um ano.

Considerando as grandes regiões para essa faixa de renda, o Nordeste foi o que teve o maior avanço de pessoas nessa condição -eram 23,9% em 2016 e passaram a 25%, alta de 1,1 ponto percentual.

O instituto considerou mais de um critério para estabelecer a nota de corte da extrema pobreza. As famílias que possuem renda de 1/4 do salário mínimo per capita integram o grupo que tem direito a Benefício de Prestação Continuada, que garante o pagamento de um salário mínimo às pessoas com deficiência ou com mais de 65 anos que comprovem não ter como prover o seu sustento.

O corte de domicílios com renda per capita entre um quarto e meio salário mínimo foi o único entre as sete possibilidades analisadas pelo IBGE que teve queda na comparação entre 2016 e 2017 -eram 18,5% dos domicílios e passaram a 17,7% no ano passado, queda de 1,1 ponto percentual.

Já no corte das famílias que têm renda domiciliar per capita inferior a R$ 85 mensais, houve alta de 0,7 ponto percentual, na comparação entre 2016 e 2017, de 4% para 4,7%. Esse é o valor de rendimento que permite ao cidadão ser beneficiário do programa federal Bolsa Família. Novamente, o indicador está acima da média no Nordeste, região que mais cresceu na comparação anual, de 7,4% em 2016 para 9% em 2017.

Na segunda faixa de recebimento do Bolsa Família, com domicílios com renda per capita de R$ 85 a R$ 170 mensais, o indicador ficou estável em 4,1% no ano passado. Nessa comparação, o Nordeste, por exemplo, teve ligeira alta, de 8,5% para 8,7% dos domicílios. No Sudeste, que concentra a população mais rica do país, o crescimento de pessoas em extrema pobreza cresceu na mesma proporção -era 1,5% em 2016 e passou a 1,8% no ano seguinte.

Na última nota de corte estabelecida pelo IBGE, o instituto calculou o percentual de domicílios com renda per capita de US$ 5,5 por dia, considerando uma Paridade de Poder de Compra que estipula que US$ 1 é igual a R$ 1,66. Esse recorte é o que considera a linha de extrema pobreza estipulada pelo Banco Mundial.

Em 2017, 26,5% dos domicílios brasileiros viviam com renda per capita de US$ 5,5 por dia. O resultado do ano passado representou alta de 0,8 ponto percentual em relação ao apurado um ano ano antes, quando 25,7% dos domicílios brasileiros estavam nessa situação.

Segundo essa nota de corte, o país tem 15 estados com percentual de população em extrema pobreza que supera a média nacional, sendo os destaques mais negativos o Maranhão (54,1%) e Alagoas (48,9%), com metade de sua população nessa condição. Na ponta oposta, Santa Catarina (8,5%) e Rio Grande do Sul (13,5%) apresentaram os menores percentuais. Rio (19%), São Paulo (14,9%), Minas Gerais (20,9%) e Espírito Santo (21,7%) ficaram abaixo da média nacional.

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