Defesa abandona plenário e julgamento dos ‘Canibais de Garanhuns’ é adiado

O julgamento de Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, Isabel Cristina Pires da Silveira e Bruna Cristina Oliveira da Silva, trio que ficou popularmente conhecido como “Canibais de Garanhuns”, estava previsto para começar às 9h desta sexta-feira (23), na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, Ilha Joana Bezerra, área central do Recife. Entretanto, com o não comparecimento da defesa de um dos réus, e numa manobra em que os demais advogados de defesa abandonaram o plenário, julgamento será adiado para o próximo dia 14.

Julgamento dos 'Canibais de Garanhuns'. Na foto: Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, um dos réus Foto: Rafael Furtado / Folha de Pernambuco

Julgamento dos ‘Canibais de Garanhuns’. Na foto: Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, um dos réus
Foto: Rafael Furtado / Folha de Pernambuco

Os réus são acusados pelas mortes de Alexandra da Silva Falcão, 20 anos, e Gisele Helena da Silva, 31 anos, no município de Garanhuns, no Agreste pernambucano. A sessão do Júri seria presidida pelo juiz Ernesto Bezerra Cavalcanti.

O advogado de Jorge Beltrão, Giovanni Martinovich, não chegou. Enviou uma petição para informar que está doente e não poderia comparecer. Diante do não comparecimento do advogado de Jorge ao julgamento, o juiz Ernesto Bezerra decidiu pelo desmembramento do processo, adiando o julgamento do réu em questão e dando prosseguimento ao julgamento das rés. Entretanto, os advogados de defesa de Bruna e Isabel decidiram se retirar do local para que o julgamento não aconteça. O juiz Ernesto Bezerra vai mandar um ofício à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para analisar a conduta em relação à ausência dos advogados de Jorge.

Rômulo Lyra, advogado de Bruna, alega que o juiz não pode “nomear um defensor na hora” e que diante da falta de alguém que defenda o Jorge, o júri não pode ser presidido. “O que o magistrado fez, lógico, juridicamente ele está correto, mas prejudica a nós. Nenhum problema vai dar se for adiado para o dia 14″, argumenta Lyra, dizendo ainda que OAB foi acionada para tomada das medidas cabíveis.

Os três réus são julgados por duplo homicídio triplamente qualificado (cometidos mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; e à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa da vítima); e também pelos crimes de ocultação e vilipêndio de cadáver; e de furto qualificado.

Jorge Beltrão Negromonte da Silveira e Bruna Cristina Oliveira da Silva respondem ainda por estelionato (obtenção de vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício ou qualquer outro meio fraudulento). A ré Bruna Cristina Oliveira da Silva será julgada também pelo crime de falsa identidade. 

O caso 
Os crimes aconteceram no município de Garanhuns, Agreste de Pernambuco. Gisele Helena da Silva teria sido assassinada por uma arma branca, no dia 25 de fevereiro de 2012, na casa onde Jorge, Isabel e Brunamoravam. De acordo com o MPPE, a vítima foi atraída para residência para “ouvir conselhos e falar sobre a palavra de Deus”. Alexandra da Silva Falcão, então com 20 anos, também foi morta na casa dos acusados, no dia 12 de março daquele ano. Parte de seu corpo foi consumida pelo trio.

Segundo Jorge Beltrão, a ingestão da carne humana fazia parte do processo de purificação da alma das vítimas. À época, o trio criou uma seita chamada “O Cartel”. A ideia era a purificação do mundo e o controle populacional.  

Outro crime cometido pelo trio vitimou a moradora de rua Jéssica Pereira, então com 17 anos. Ela e sua filha de um ano foram viver em Rio Doce, em Olinda, com Jorge, Isabel e Bruna. Eles planejaram a morte, esquartejaram o corpo e também chegaram a se alimentar das carnes de Jéssica. Os crimes foram descobertos depois que parentes de Giselly Helena da Silva denunciaram o seu desaparecimento.

Jorge pegou uma pena de 23 anos de reclusão. Isabel e Bruna, 20 anos de prisão cada uma. Antes do primeiro julgamento, os acusados passaram por exames de sanidade mental. Os laudos apontaram que todos tinham consciência dos crimes e não apresentavam nenhum distúrbio psiquiátrico.

Por Folha de Pernambuco

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