Chuva muda o cenário no Interior de Pernambuco

Enquanto o Grande Recife sofre com os efeitos da chuva, Agreste, Sertão e Zona da Mata de Pernambuco comemoram aumento no nível dos reservatórios

Até a água, bem natural comum do planeta e consenso em toda humanidade devido a sua necessidade, tem lá suas controvérsias. Em Pernambuco, enquanto a população da Região Metropolitana sofre com os efeitos da chuva deste mês (no ano passado as principais regiões afetadas foram a Zona da Mata Sul e o Agreste), no Interior os habitantes comemoram o aumento no nível de água acumulada nos reservatórios. Esse fenômeno, como explica a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), abranda a crítica situação de estiagem que castigou o Nordeste nos últimos seis anos. A mudança, favorável, no mapa da seca na região é bastante animadora, embora o acúmulo de água ainda esteja bastante aquém do mínimo ideal. 

Morador do município de Iguaraci (a 355 quilômetros do Recife), o funcionário público federal José Antonio Silva, 63 anos, é um dos moradores que comemoram essa mudança na paisagem no Sertão do Pajeú. Ele enviou para a Folha de Pernambuco imagens do reservatório do Inardo, localizado no sítio Poção, no distrito de Jabitacá, em Iguaraci. Segundo José Antonio, há 14 anos o reservatório não recebia águas de chuva, há seis anos estava completamente seco e agora está a cerca de 1,5 metro para sangrar. Em 2017, a Folha mostrou o local sem uma gota d’água. “A maioria dos rios da região – Poção, do Agreste, do Poço Comprido e do Morcego – estão com água”, constatou o servidor. Na cidade de Afogados da Ingazeira, a maior barragem, de Brotas, está sangrando. Já no estado da Paraíba, perto da cidade de Monteiro, oito açudes estão sangrando. Todos os reservatórios que ficam na cabeceira do rio do Poção estão sangrando, contou. 

No último registro feito pela Folha de Pernambuco, no reservatório do Inardo, em Iguaraci, no Sertão, o local estava quase seco Foto: Alfeu Tavares

No último registro feito pela Folha de Pernambuco, no reservatório do Inardo, em Iguaraci, no Sertão, o local estava quase seco Foto: Alfeu Tavares

O reservatório do Inardo, em Iguaraci, no Sertão, não recebia água de chuva havia 14 anosFoto: José Antonio Silva / Divulgação

O reservatório do Inardo, em Iguaraci, no Sertão, não recebia água de chuva havia 14 anosFoto: José Antonio Silva / Divulgação

De acordo com a Apac, no balanço geral as reservas atingiram em torno de 15% de sua capacidade, o que ainda é pouco para a necessidade da região. Para a Agência, é importante haver o entendimento de que o Nordeste enfrentou seis anos de forte estiagem e apenas no início deste ano, principal de fevereiro a abril, está conseguindo acumular água de chuva. “O balanço geral do Sertão está em algo em torno de 15% a 20%. É bastante animador”, afirmou o presidente da Apac, Marcelo Asfora. “Mesmo quando chove na média (600 milímetros) não é suficiente. Mas, para aquela região, é uma grande contribuição.” 

Ao todo, a Apac monitora no Estado 109 reservatórios com capacidade de acumulação acima de cinco milhões de metros cúbicos de água. Dentre eles, há conhecimento de que receberam uma quantidade expressiva de água as barragens Prata (Bonito, Agreste), com 33 milhões de metros cúbicos, atingindo 78% de sua capacidade; Pau Ferro (Quipapá, Mata Sul), que está vertendo; Salgueiro (Verdejante, Sertão), que está com 87% de sua capacidade; Nilo Coelho (Terra Nova, Sertão); Jazigo (Serra Talhada, Sertão), que atingiu 100%; e Brotas (Afogados da Ingazeira, Sertão), que também está vertendo. Jucazinho (Surubim, Agreste), que estava completamente seca, saiu de uma situação de zero para nove milhões de metros cúbicos. 

“Neste mês, começou a pegar água. Isso dá alguma esperança. Chegando a 10, 15 milhões de metros cúbicos, a Compesa já consegue tirar água”, disse Marcos Asfora. Ainda de acordo com o gestor, a situação de chuvas no Sertão está se encerrando agora em abril, mas a perspectiva continua sendo boa. Asfora citou como exemplo o Monitor de Secas do Nordeste do Brasil (monitordesecas.ana.gov.br), processo de acompanhamento regular e periódico da situação da estiagem em todo o Nordeste. Na opção Comparação de Mapas, quando observado o mapa mais recente da região, de fevereiro deste ano, ao lado do mapa de janeiro e, principalmente, de fevereiro de 2017, a mudança favorável é bastante animadora. “Não é seguro que vá continuar diminuindo. Pode aparecer um fenômeno como o El Niño e mudar tudo. Mas, por outro lado, também fazemos previsões. A expectativa é positiva”, disse o gestor.

Por Folhape

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