Caruaru-PE: Dados levantados pela Polícia confirmam que cerca de R$ 5 milhões de pacientes foram extorquidos por quadrilha de médicos na Operação Hipócrates

Segundo dados da Polícia Civil, a organização criminosa desarticulada através da “Operação Hipócrates” cobrava de R$ 4 a R$ 12 mil por cirurgia em cada paciente e extorquiu aproximadamente R$ 5 milhões das vítimas nos últimos dois anos, no estado de Pernambuco. Nove pessoas estiveram envolvidas, sendo elas dois médicos, um vereador e seis pessoas foram presas nesta quarta-feira (11). A quadrilha é suspeita de captar pacientes na rede pública para realização de cirurgias sem indicação de necessidade na rede privada.

Dentre os nove mandados de prisão que foram emitidos pela Justiça, apenas um não foi cumprido e o suspeito está foragido. O resultado da ação foi divulgado pela Polícia Civil na tarde desta quarta-feira, em uma coletiva de imprensa no Recife-PE.

A operação “Hipócrates” teve por objetivo prender suspeitos de corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, lesão corporal e de integrar uma organização criminosa. As buscas foram realizadas nas cidades de Caruaru, Agrestina, São Caetano, Tacaimbó e no Recife, todas situadas no Agreste Pernambucano. A investigação teve início no mês de julho do corrente ano e durante as buscas, nesta quinta-feira (12) foram apreendidos:

  • Um revólver calibre 38;
  • Dez computadores;
  • Vários documentos que ainda serão analisados pela polícia.

De acordo com a Polícia Civil, as pessoas investigadas na operação são suspeitas de captação de pacientes na rede pública de saúde para atendimento na rede privada, atraso na prestação de serviços para estimular o pagamento indevido de valores pelos pacientes e familiares, utilização de material cirúrgico além da quantidade prescrita e realização de cirurgias sem indicação de necessidade.

O líder do grupo é suspeito de atuar na captação de pacientes, tráfico de influência e cobrança indevida de valores para serviços públicos. Seis dos envolvidos são suspeitos de captação de pacientes e um deles é considerado foragido da polícia. O médico Pablo Thiago Cavalcanti é suspeito de realizar cirurgias na rede privada com pacientes da rede pública, de procedimentos cirúrgicos sem indicação de necessidade e uso de material ortopédico além do prescrito. O médico Bartolomeu Bueno Motta é suspeito de corrupção passiva. Ambos atuavam no Hospital Regional do Agreste (HRA), em Caruaru-PE.

Um médico e uma servidora de saúde receberam mandado de condução coercitiva. Ele é suspeito de realizar cirurgias na rede privada com pacientes da rede pública, enquanto ela é suspeita de captação de pacientes.

Os médicos Bartolomeu Motta e Pablo Thiago foram presos nesta quarta-feira (11) e estão na Penitenciária Juiz Plácido de Souza em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Eles estão na mesma cela, que tem televisão e cama, de acordo com a direção da unidade prisional. Os advogados dos suspeitos informaram que, por enquanto, não irão se pronunciar sobre o assunto, pois estão tendo acesso aos autos.

Os policiais abordaram clínicas, consultórios médicos e casas do Agreste e do Recife, além do Hospital Regional do Agreste (HRA) e um hospital particular de Caruaru.

Participam da operação 100 policiais civis, entre delegados, agentes e escrivães.

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